O presidente do Senado, Jader Barbalho (PMDB-PA), contestou ontem denúncia da revista ‘‘Veja’’, publicada esta semana, sobre suas supostas relações com o empresário José Osmar Borges, considerado o maior fraudador da Superintendência de Desenvolvimento da Amazônia (Sudam). O senador afirmou que desconhece o assunto da reportagem e disse não se recordar de ter dado algum telefonema para Borges.
A reportagem afirma que a revista teve acesso aos extratos telefônicos de Borges e esses mostram dezenas de ligações do empresário para o senador em 1999 e em 2000. O presidente do Senado disse que não pretende fazer um pronunciamento da tribuna do Senado sobre os assuntos, mas informou que sua assessoria divulgaria nota à imprensa.
De acordo com a denúncia que deu origem à investigação, cerca de R$ 4 milhões teriam sido repassados a Jader em função de uma venda irregular de TDAs da qual o senador – então ministro da Previdência – teria participado.
Na nota, Jader afirma que seu envolvimento na emissão irregular de TDAs já foi tratado pelo Superior Tribunal Federal (STF) e pelo Tribunal de Contas da União (TCU). Segundo ele, os órgãos julgaram irregulares e arquivaram as acusações. Afirma também que a Advocacia Geral da União (AGU) e o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) consideraram legal seus atos à frente do Ministério da Reforma Agrária, de 1987 a 1988.
Jader disse que iria reiterar, por meio de um ofício ao corregedor do Senado, Romeu Tuma (PFL-SP), empenho para que sejam rastreados os recursos da possível aquisição de TDAs. O senador apresentou reprodução de um parecer do Banco Central (BC), datado em 6 de maio de 1992, informando que os inspetores da instituição não haviam encontrado provas suficientes para indiciar Jader. O parecer foi o mesmo apresentado em seu discurso de defesa no plenário.
O presidente do Senado ratificou na nota que pediu ao procurador-geral da República, Geraldo Brindeiro, a abertura de inquérito na Polícia Federal para apurar o caso Sudam. Jader acrescentou que as notícias sobre suposto envolvimento seu em fraudes ‘‘não têm qualquer fundamento, são requentadas’’. Segundo ele, essas notícias fazem parte de ‘‘uma campanha orquestrada das viúvas de alguém’’, mas não esclareceu a que viúvas se referia.

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