O presidente do Senado, Jader Barbalho (PMDB-PA), afastou ontem qualquer possibilidade de vir a renunciar ao mandato, assegurando que não seguirá o exemplo dos ex-senadores Antonio Carlos Magalhães (PFL-BA) e José Roberto Arruda (sem partido-DF). ‘‘Minha disposição é cumprir meu mandato até o final’’, afirmou o senador, ao chegar ao Congresso. Ele voltou a dizer que é vítima de uma campanha feita contra ele pela imprensa. Segundo Jader, esta campanha só vai acabar ‘‘quando as viúvas do senador Antonio Carlos Magalhães’’ (que ele não quis identificar) se conformarem (com a saída do ex-senador).
‘‘Quando o senador Antonio Carlos foi ameaçado de se afastar do Senado, eu fui avisado de que eu teria que sair também, se ele fosse afastado. Estou pagando o preço da viuvez’’, afirmou Barbalho, sem citar nomes. ‘‘Todos esses escândalos, essas mentiras que estão sendo divulgadas, eu quero dizer a vocês que eu não tenho nada a dizer. Quem quer divulgar mentiras não precisa de mim. Pode ficar à vontade, que quando tiver algo concreto que não seja requentar a mentira, estou disposto a conversar com vocês’’, disse ele em tom de ironia, voltado para os jornalistas que o esperavam.
O senador insistiu ao afirmar que a campanha não prova nada contra ele. ‘‘Podem publicar o que quiserem, podem fazer a campanha! A opinião pública já deve estar percebendo que só café requentado não prova nada contra mim’’, reforçou. Questinado se era a bola da vez, ele disse: ‘‘Claro! Querem que eu seja a bola da vez’’. Mas ponderou: ‘‘Nós estamos num regime democrático, e as viúvas do senador Antonio Carlos vão ter muito trabalho, vão ter que provar alguma coisa contra mim, mas não conseguem provar nada’’. Ele disse, também, que não precisa de partido para se defender. ‘‘A minha defesa é a verdade’’, afirmou, dizendo desejar que ‘‘tudo seja esclarecido o mais rapidamente possível e que a mentira seja desmoralizada o mais rapidamente possível’’.
Já o acordo de líderes fechado na semana passada para investigar Jader começou a ruir ontem. O presidente da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), Bernardo Cabral (PFL-AM), adiou para amanhã a votação de um requerimento para rastrear recursos de uma negociação de Títulos da Dívida Agrária (TDAs) que teria beneficiado Jader.
Pelo acordo, o requerimento seria aprovado hoje na CCJ e amanhã no plenário. Cabral só nomeou ontem o relator do requerimento: senador Bello Parga (PFL-MA). O pefelista já avisou que não entregará o parecer hoje. ‘‘Quero dar um parecer minucioso, detalhado, pormenorizado’’, disse Parga, ignorando o acordo para dar tramitação sumária ao pedido.
O requerimento da oposição pede a quebra dos sigilos bancários do ex-banqueiro Serafim de Moraes, de sua mulher, Vera Arantes, e do empresário Vicente Pedrosa. O objetivo é rastrear um suposto cheque equivalente a R$ 4 milhões que teria sido pago pelo casal ao empresário por TDAs emitidos de forma ilegal, e que teria sido entregue a Jader.
O adiamento pode dificultar a votação do requerimento no plenário antes do recesso – outro requisito do acordo. Amanhã será votada a Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO), que deve mobilizar os parlamentares. (Com Agência Folha)

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