Jader não será investigado no Senado
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sexta-feira, 05 de outubro de 2001
Rosa Costa<br> Agência Estado<br> De Brasília 
A carta de renúncia do ex-senador Jader Barbalho (PMDB-PA), lida ontem em plenário, suspende, automaticamente, a quarta investigação realizada no Senado por quebra de decoro parlamentar. Não houve discursos de consternação nem demonstrações de surpresa por parte dos cinco senadores presentes. Ao contrário dos casos anteriores de senadores que renunciaram com discursos fortes, o caso de Jader terminou sem causar emoção.
O primeiro-secretário do Senado, Carlos Wilson (PTB-PE), limitou-se repetir as alegações de Jader, de que deixava o mandato para se livrar do ''linchamento'' de que foi alvo ''ao longo de um ano e seis meses''. O ex-presidente do Senado afirma na carta que ''a história do Senado registrará a inominável violência'' de que foi ''vítima'' e a deixar claro que, em breve, retornará à vida pública. Além de Wilson e do presidente do Senado, Ramez Tebet (PMDB-MS), estavam no plenário os senadores Lúdio Coelho (PSDB-MS), Emília Fernandes (PT-RS) e José Coelho (PFL-PE).
A vaga de Jader será ocupada, na próxima semana, pelo ex-secretário particular dele e segundo suplente, Fernando de Castro Ribeiro (PMDB-PA). O primeiro suplente e pai de Jader, Laércio Barbalho, de 83 anos, preferiu não se expor. O MP aponta os dois como beneficiários de recursos desviados do Banpará.
O nome de Ribeiro aparece 17 vezes nos relatórios sobre o desfalque. Ele teria recebido cerca de R$ 500 mil do dinheiro desviado. O procedimento para a posse dele depende da publicação da carta de renúncia no ''Diário do Senado'', prevista para hoje, e da renúncia de Laércio Barbalho.
O senador Antonio Carlos Valadares (PSB-SE) admite que são grandes as chances de o suplente se tornar o próximo alvo de um processo por quebra de decoro parlamentar. Basta um partido ou qualquer pessoa formalizar uma denúncia ao Conselho de Ética. ''Tornando-se senador, sua conduta estará sujeita às regras da instituição'', disse Valadares.
Acusado de envolvimento no desvio de recursos do Banpará, Jader renunciou para não ter o mandato cassado. Se isso ocorresse, ele se tornaria inelegível por oito anos, a contar de 2002. Os integrantes do Conselho de Ética o acusam de violar o decoro em duas ocasiões: ao negar a participação no desfalque do Banpará e ao obstruir as informações feitas por senadores ao Banco Central (BC) sobre as investigações realizadas naquela instituição. Com a renúncia, Jader perde a imunidade parlamentar, que dificultaria o indiciamento, mas mantém intactos os direitos políticos, podendo disputar as eleições em 2002.


