Jader não resiste e se licencia do cargo
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sexta-feira, 20 de julho de 2001
Luiza Damé e Denise Madueño Agência Folha De Brasília 
O Senado deu ontem um desfecho rápido para a agonia de Jader Barbalho (PMDB-PA), que já durava uma semana. Pela manhã, o senador paraense formalizou o pedido de licença por 60 dias da presidência do Senado. A oposição não criou problema, embora o regimento seja omisso sobre a licença do presidente. À tarde, o senador Edison Lobão (PFL-MA), já na condição de presidente interino, anunciou que o Conselho de Ética e Decoro Parlamentar não investigará as acusações contra Jader, mas vai enviá-las para o Ministério Público Federal.
Investigação pelo Conselho de Ética não é necessária. A comissão de inquérito passa para o âmbito do Supremo Tribunal Federal (STF), afirmou Lobão. A decisão agradou ao PMDB e a setores do PSDB que participaram das negociações que culminaram com o afastamento de Jader, mas o PFL promete se rebelar e tentar cassar seu mandato.
O clima é tenso. Buscar imparcialidade no Senado é difícil, disse o senador Pedro Simon (PMDB-RS). Para o processo contra Jader seguir na Justiça, os líderes se comprometeram a conceder a licença exigida pela Constituição para que o STF julgue o senador. O PMDB colaborará com tudo para esclarecer as acusações, disse Renan Calheiros, líder do partido no Senado.
Lobão disse que, tão logo o pedido de autorização para processar Jader chegue ao Senado, será apreciado. Primeiro, pela Comissão de Constituição e Justiça e depois pelo plenário. Na segunda-feira, afirmou, o presidente do Conselho de Ética, Gilberto Mestrinho (PMDB-AM), aliado de Jader, usará seu poder e enviará os documentos ao MPF, sem ouvir os demais membros do conselho.
Jader enfrenta acusações que vão de desvio de fundos do Banco do Estado do Pará (Banpará) à fraude na emissão de Títulos da Dívida Agrária (TDAs). O argumento para a transferência das investigações para a Justiça é que os atos não foram praticados no exercício do mandato, mas anteriormente, quando Jader era governador do Pará e quando era ministro da Reforma Agrária.
Jader não foi ao Senado entregar o pedido de licença. Enviou-a por meio de senadores do PMDB. Pouco antes das 10 horas, ele saiu de sua casa no Lago Sul, em Brasília, e fez o anúncio. Estou me licenciando da presidência do Senado, mais nada além disso, afirmou, deixando claro que continuará no mandato. Em seguida, viajou para Belém.
O senador disse que não está isolado no PMDB e apresentou o argumento para seu afastamento: Acho que quem tem de se defender dessas infâmias sou eu. Ele voltou a negar que o Banco Central tenha apresentado provas de seu envolvimento no caso do Banpará.


