O presidente do PMDB, senador Jader Barbalho (PA), não negou ontem que tenha um patrimônio de R$ 30 milhões (cerca de US$ 16,5 milhões) nem deu qualquer explicação sobre como teria conseguido reunir essa fortuna, embora tenha convocado entrevista coletiva para tratar do assunto.
Jader foi irônico ao comentar a reportagem de capa da revista ‘‘Veja’’ desta semana, segundo a qual o senador transformou – de 1974 até hoje – um patrimônio de apenas R$ 61,2 mil em uma fortuna de R$ 29,7 milhões, exercendo apenas cargos públicos praticamente esse tempo todo.
Após falar por 15 minutos diante de dezenas de jornalistas, o presidente do PMDB encerrou a coletiva mandando distribuir bombons de cupuaçu (produto típico do Pará) à imprensa e saiu sem responder a nenhuma pergunta.
Jader se limitou a dizer que desde abril está envolvido em uma ‘‘berlenga (desavença, rixa) com outro personagem da política nacional’’ e que, por isso, tem sido ‘‘objeto de interesse de alguns setores da imprensa’’.
Sem citar o nome do presidente do Senado, Antonio Carlos Magalhães (PFL-BA), o peemedebista insinuou que o pefelista está por trás da campanha contra ele.
Pela primeira vez, Jader foi enfático ao dizer que é candidato a presidente do Senado e que ‘‘os que estão interessados em fomentar campanha’’ para impedir seu eleição ‘‘estão perdendo tempo’’. Segundo o paraense, ele e seu partido estão ‘‘prevenidos’’ contra essa suposta campanha.
Jader não poupou ironias em relação à Veja e ao repórter que assina a reportagem, Alexandre Oltramari. Disse que estava ‘‘entusiasmado’’ com o valor do patrimônio calculado pela revista. Por isso, decidiu lavrar em cartório procuração pública dando poderes à Veja e ao jornalista para ‘‘intermediarem a venda conjunta dos bens relacionados’’ em sua declaração de renda ‘‘pelo preço mínimo de R$ 30 milhões’’. Em outra procuração, o presidente do PMDB doou ao jornalista suposta empresa dele existente em Goiás, não relacionada em sua declaração de renda, mas citada na reportagem.

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