O presidente do Congresso, senador Jader Barbalho (PMDB-PA), determinou ontem o arquivamento do processo por quebra de decoro dos ex-senadores Antonio Carlos Magalhães e José Roberto Arruda, que estava em análise pela Mesa Diretora do Senado. ‘‘Seria uma mesquinharia despachar um processo sabendo da renúncia’’, disse Jader, depois de ressaltar que, embora tivesse escolhido o senador Carlos Wilson (PPS-PE) para ser o relator do processo, não assinou a nomeação dele, diante da renúncia de Arruda e do aviso de que ACM repetiria o gesto ontem. Para ele, o caso está encerrado. ‘‘Não tenho interesse em agravar este episódio’’, afirmou.
Wilson, por sua vez, declarou que não só ele, mas todos os demais senadores estavam ‘‘muito constrangidos’’ com o fato de terem de estar julgando um outro companheiro. Não quis admitir, no entanto, que tenha ficado aliviado com tudo isso. ‘‘Não posso falar em alívio por não relatar o caso porque responsabilidade é responsabilidade e eu não deixaria de cumprir o meu papel’’, disse.
‘Deixou de existir o processo que agora está arquivado’’, afirmou Wilson, que, no entanto, ressaltou que não se sentiu atingido pelo discurso de ACM. ‘‘Mas, em seis anos e meio de mandato, nunca vivi momento tão doloroso ’’, comentou ele, que era amigo do ex-líder do governo na Câmara Luís Eduardo Magalhães, filho de ACM, e continuou freqÜentando a casa do senador até há pouco. ‘‘Nenhum de nós foi eleito para cassar o outro’’, acentuou Wilson. ‘‘Estava numa situação muito delicada, assim como estaria do mesmo jeito qualquer outro senador.’’
Jader tentou mostra tranquilidade com a possibilidade de que ele possa se tornar o próximo alvo de apurações no Congresso. Sobre as informações de que o suplente e filho de ACM, Antônio Carlos Magalhães Júnior (PFL-BA), voltaria as baterias contra ele, tentando até mesmo o levar ao Conselho de Ética e Decoro Parlamentar do Senado, que foi responsável pela renúncia dos dois senadores, Jader foi enérgico na resposta: ‘‘Não temo nada.’’ Diante da insistência dos jornalistas de como via a possibilidade de se tornar um novo alvo, ironizou: ‘‘Prefiro não ver.’’
Após o discurso, ACM foi recebido por uma comitiva de 150 prefeitos baianos, liderada pelo governador do Estado, César Borges. As homenagens a ACM no Senado foram três salvas de palmas, dois ramalhetes de flores, abraços dos assessores e mais choro. Duas horas depois, com o quórum do gabinete mais restrito, ACM fez sua primeira reunião com os advogados para discutir providências com a Justiça.

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