Jader fica mais incriminado em fraudes
PUBLICAÇÃO
sábado, 16 de junho de 2001
Leandra Peres e Edson Luiz Agência EstadoDe Belém 
As relações do presidente do Senado, Jader Barbalho (PMDB-PA), com fraudadores da extinta Sudam não se limitam à sociedade com José Osmar Borges, o empresário acusado de desviar R$ 133 milhões de recursos públicos. O patrimônio do senador também aumentou num outro negócio fechado com um integrante dessa turma. Em 1996, Barbalho adquiriu a Fazenda Cinderela, no município de Paragominas (PA), de Equibal Rodrigues de Almeida, sócio em dois projetos cancelados pela Sudam por fraudes.
Os projetos em nome de Equibal a Arbol da Amazônia Indústrias Reunidas S/A e a Suimpar Indústria e Comércio S/A foram cancelados pela Sudam em abril por terem desviado recursos do Fundo de Investimentos da Amazônia (Finam), o que configura crime contra a ordem tributária. O governo está cobrando R$ 164,158 milhões pelas fraudes, de acordo com os cálculos da Sudam e publicados no Diário Oficial da União.
A venda da Fazenda Cinderela está registrada no cartório de imóveis de Paragominas e aparece também na declaração de Imposto de Renda do presidente do Senado, entregue ao TRE. O valor de compra foi de R$ 500 mil. A Fazenda Cinderela era parte do ativo de uma outra empresa de Equibal, a Cinderela Agropecuária S/A (Cisa), que também foi financiada pela Sudam.
A compra da propriedade em Paragominas repete praticamente a mesma história da Agropecuária Campo Maior. Comprada pela empresa de José Osmar Borges, que é investigado pelo Ministério Público Federal (MPF) em Mato Grosso por fraudes na Sudam, a agropecuária registrou várias alterações contratuais e depois foi repassada a Jader. A fazenda da Campo Maior foi então incorporada a um outro imóvel do presidente do Senado.
Segundo a assessoria de imprensa de Jader, o senador nada tem a ver com o fato de a empresa adquirida por ele ter sido anteriormente de um fraudador da Sudam.
Tanto no caso da Cinderela quanto de Campo Maior, as compras feitas por Jader são anteriores à investigação formal da Sudam ou do MPF sobre os desvios de recursos. O repasse de verba para as duas empresas de Equibal de Almeida vão de 1992 a 1997. A Arbol, por exemplo, recebeu liberações da Sudam em janeiro de 1995, antes de a Fazenda Cinderela ser vendida para Jader. A empresa voltou a receber recursos somente em 30 de dezembro de 1996, 28 dias após a transação.
A terceira e última liberação aconteceu um ano depois, em 19 de dezembro de 1997, quando Equibal já era sócio também da Suimpar. Esse repasse foi ilegal, já que o regulamento dos incentivos fiscais determina que o empresário não pode ter mais de um projeto financiado ao mesmo tempo.
As duas empresas estão sendo investigadas pela Receita Federal e pelo MPF no Pará. Segundo o MPF, quase todo o material usado nas obras dos dois empreendimentos era de categoria inferior ao estipulado nos documentos de comprovação do financiamento.


