Jader escapa de CPI, mas será investigado
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quinta-feira, 21 de junho de 2001
Vera Magalhães e Raquel Ulhôa Agência Folha De Brasília 
Os líderes governistas rejeitaram ontem a criação de uma CPI específica para investigar Jader Barbalho (PMDB-PA), mas tiveram de ceder e aprovar quatro medidas propostas pela oposição para apurar denúncias contra o presidente do Senado. Com isso, Jader ganha fôlego até o fim do recesso, mas pode ver o cerco contra ele apertar em agosto.
A reunião de três horas do Colégio de Líderes, realizada ontem, mostrou qual é a pedra no sapato de Jader: o caso Banpará, que apura o suposto desvio de recursos do banco estadual para aplicações do presidente do Senado e de seus familiares. Os líderes do PMDB, Renan Calheiros (AL), e do PSDB, Sérgio Machado (CE), abortaram um acordo para aprovar na semana que vem um requerimento solicitando o envio ao Senado do relatório completo da auditoria feita pelo Banco Central no Banpará.
A oposição só conseguiu que o requerimento que está engavetado desde março seja enviado na próxima semana à Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), mas a votação ficou para agosto. Até lá, os partidos governistas tentarão modificar o requerimento, para que sejam enviadas ao Senado apenas as conclusões que não incriminam Jader. Na próxima semana, os líderes da oposição também vão ao procurador-geral da República, Geraldo Brindeiro, cobrar pressa nas investigações.
O líder tucano formou, com Renan, a tropa de choque de Jader. Na noite anterior, os dois articularam a estratégia de ação conjunta para barrar as propostas consideradas perigosas. O PFL, representado pelo vice-líder Eduardo Siqueira Campos (TO), pouco falou, mas se juntou aos demais governistas nos momentos de impasse.
Mais uma vez coube a Renan e Machado vetar a proposta. O primeiro argumentou que uma CPI para investigar o presidente do Senado precisaria de fatos concretos, não apenas indícios. Machado disse que uma investigação desse tipo atingiria o governo.
Os líderes concordaram em aprovar um requerimento da oposição pedindo a quebra dos sigilos bancários do ex-banqueiro Serafim de Moraes, de sua mulher, Vera Arantes, e do empresário Vicente Pedrosa. O objetivo é rastrear um suposto cheque equivalente a R$ 4 milhões que teria sido pago pelo casal ao empresário por Títulos da Dívida Agrária (TDAs) emitidos de forma ilegal. O cheque teria beneficiado Jader.


