Visivelmente abatido, o senador Jader Barbalho (PMDB-PA) disse ontem que ainda não decidiu se vai ou não fazer discurso na entrega de sua carta de renúncia ao Senado hoje, em Brasília. Também não quis revelar o conteúdo da carta que decreta o fim do seu mandato. ''Cada dia com a sua agonia. Amanhã (hoje), vocês saberão'', afirmou aos jornalistas na frente de sua casa, em Belém.
Jader viaja hoje pela manhã para Brasília. O senador confirmou que vai fazer a entrega da carta de renúncia pessoalmente à Mesa do Senado. No último dia 18, ele já renunciou à presidência do Senado.
Na última segunda-feira, em entrevista à TV RBA, de sua propriedade, Jader admitiu pela primeira vez que deveria renunciar, mas disse que apenas entregaria um comunicado de renúncia e não faria qualquer discurso porque não tinha mais nada a dizer.
Em seu último dia como senador, Jader se reuniu com políticos aliados, amigos e advogados. Na reunião, reforçou sua disposição para se candidatar ao Senado novamente no ano que vem ou ao governo do Pará. ''Encomendei uma pesquisa no Estado para avaliar se o povo do Pará quer que eu me candidate ao Senado ou ao governo em 2002. Nas outras pesquisas que tenho, o meu nome está em primeiro lugar tanto para o Senado quanto para o governo'', disse.
Uma ação do Ministério Público (MP) do Pará acabou com as últimas esperanças do senador de enfrentar um possível processo de cassação no Senado. Se o processo for iniciado, Jader perde a opção de renunciar e corre o risco de perder os direitos políticos por oito anos.
Na ação, a Promotoria pediu a suspensão da perícia determinada pela Justiça paraense na auditoria que o Banco Central mandou fazer no Banpará. Jader tinha a expectativa remota de que a perícia pudesse ficar pronta durante a tramitação do processo de cassação.
Na sexta-feira, já sem o mandato e, consequentemente, sem a imunidade parlamentar e o foro privilegiado, Jader deve levar um novo golpe do MP estadual. Os promotores vão entrar com uma ação na Justiça pedindo a indisponibilidade dos bens do senador. Os promotores querem que Jader faça o ressarcimento de R$ 5 milhões aos cofres públicos. O valor se refere aos supostos desvios apontados no Banpará.
Jader não quis comentar a possível avalanche de processos contra ele após a renúncia. Já Edilson Dantas, um dos advogados, disse que o senador está preparado. Além das ações, Jader também pode enfrentar um pedido de prisão. ''Se falam em prisão, deixem que falem. Isso não intranquiliza o senador'', disse Dantas.

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