O peemedebista Jader Barbalho renunciou na noite de ontem ao mandato de senador por meio de carta enviada ao presidente do Senado, Ramez Tebet (PMDB-MS). Ao deixar o cargo, ele evita a abertura de processo pelo Conselho de Ética com base no relatório em que aparece como um dos envolvidos nos desvios de recursos do Banco do Estado do Pará (Banpará). O ex-senador também é acusado de desvios da Superintendência de Desenvolvimento da Amazônia (Sudam), além da emissão fraudulenta de títulos da dívida agrária (TDAs).
A carta-renúncia foi entregue às 19h40, na residência oficial de Tebet, por uma assessora de Jader. Assessores do presidente do Senado evitaram divulgar o conteúdo da correspondência e disseram que ela será lida hoje, no início da sessão do Senado, marcado para as 9 horas.
Cansado de esperar, Tebet deixou o Senado e foi para casa por volta das 18 horas, prometendo avisar a imprensa caso a correspondência lhe fosse entregue. ''Quanto antes liquidarmos este episódio, melhor para o Senado'', dizia Tebet, ao fim de mais um dia de informações desencontradas, em que Jader alimentou boatos sobre deslocamentos a Brasília e Fortaleza, e acabou não saindo do lugar.
A espera e a indefinição causaram angústia até mesmo na direção do PMDB. ''Queremos acabar com este suspense'', cobrava o líder do PMDB no Senado, Renan Calheiros (AL), um dos que mais pressionaram, nos bastidores, para que Jader abandonasse logo o mandato, para não desgastar ainda mais a imagem do partido e do próprio Senado. ''O PMDB entende que o desfecho precisa ser hoje (quinta-feira) porque precisamos voltar à normalidade'', afirmou Renan ainda na manhã de ontem. ''Ninguém aguenta mais esta ansiedade'', desabafava.
Amigos e assessores mais próximos de Jader insistiam que a carta já estava pronta e que seria encaminhada à Mesa Diretora do Senado à noite ou, ''no mais tardar'', hoje pela manhã. Embora o próprio Jader tenha sustentado que iria a Brasília, os correligionários que o acompanham de perto já adiantavam que ele não sairia do Pará.
Mais do que isto, Jader acertou com dirigentes do PMDB que não discursaria no ato da renúncia nem pisaria mais no Congresso esta semana. ''Ele já falou tudo o que tinha para falar e a vinda a Brasília não tem sentido porque ele não deve estar querendo assistir ao próprio funeral'', disse um aliado.

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