O presidente do Congresso, senador Jader Barbalho (PMDB-PA), foi forçado pela oposição a convocar para hoje, às 10 horas, uma reunião do Colégio de Líderes para analisar as denúncias que existem contra ele e decidir qual deverá ser o foro que irá apurar os fatos. Trata-se de um constrangimento inédito imposto ao presidente do Congresso, que obrigará o PSDB e o PFL a decidirem se se solidarizam ou não com Jader. ‘‘O Senado Federal está na berlinda e, independente da procedência ou não das denúncias (contra Jader), não é mais possível a omissão ou, pior, o desdém’’, afirma a nota, assinada pelos líderes oposicionistas, que diz ainda que ‘‘não é dado aos senadores, nesta hora tão grave, comportarem-se como avestruzes frente aos perigos da ocasião’’.
A convocação para a reunião do Colégio de Líderes foi anunciada duas horas depois de parte da bancada do PMDB no Senado ter aprovado uma moção de apoio a Jader. A nota, redigida sob a orientação do líder do PMDB no Senado, Renan Calheiros (AL), ao ser lida em plenário, provocou a reação de vários peemedebistas, até mesmo do presidente interino do partido, senador Maguito Vilela (GO), que afirmou que dava ‘‘solidariedade política a Jader, enquanto não houver prova concreta de envolvimento’’.
‘‘Aguardamos o julgamento da Justiça’’, tentou amenizar ele, visivelmente confuso nas declarações e irritado. ‘‘Não foi dado um cheque em branco ao Jader’’, avisou o senador Mauro Miranda (PMDB-GO). Vilela também não concorda com trechos da nota que falam que as acusações contra Jader fazem parte de uma orquestração contra o partido e nem que as provas apresentadas por ele – em sessão de eslaides e apresentação de documentos que o inocentariam – fossem convincentes.
A reunião foi marcada e a nota, redigida e divulgada sem a presença dos representantes históricos do PMDB. Não estavam presentes os senadores Pedro Simon (RS), José Fogaça (RS) e José Alencar (MG). ‘‘Não li a nota, não me chamaram, não estava lᒒ, afirmou Simon. ‘‘Dar apoio a Jader para que tenha força para resistir, tudo bem. Mas exigimos que tudo seja, minimamente, apurado’’, advertiu Simon, que voltou a defender uma CPI para apurar as denúncias.
A manobra da oposição que pôs Jader em ‘‘uma saia-justa’’, segundo lembraram alguns peemedebistas, foi aprovada na reunião realizada pelos integrantes do PT, PPS, PDT e PSB, na noite de anteontem, na casa do senador Paulo Hartung (PPS-ES), líder da legenda, que acolheram a proposta apresentada pelo senador Jefferson Peres (PDT-AM). O pedido de reunião do Colégio de Líderes foi lido em plenário pelo senador José Eduardo Dutra (PT-SE), líder do Bloco Oposição, e obrigou Jader a se posicionar favoravelmente ao encontro e oferecer as instalações da presidência do Senado para a reunião.
A esquerda apresentou ainda em plenário um requerimento de pedido de rastreamento da movimentação financeira Jader, Vicente de Paula Pedrosa e Vera Arantes, que teriam participado de pagamento irregular de Títulos da Dívida Agrária (TDAs), quando Jader era ministro da Reforma Agrária no governo Sarney.

mockup