As reações no Senado para que o presidente da Casa, Jader Barbalho (PMDB-PA), venha a ser investigado tomaram hoje um novo impulso, com a revelação de que ele teria encabeçado um esquema de venda de títulos da Dívida Agrária (TDAs) emitidos de forma fraudulenta quando ocupava o Ministério da Reforma. O senador Paulo Hartungt (PPS-ES) assegurou que ele e seus colegas não irão se omitir. ‘‘Cabe agora ‘‘encontrar um caminho’’ para investigar as acusações feitas contra Jader Barbalho’’, defendeu.
Acusado por um relatório do Banco Central de ter recebido US$ 10 milhões desviados do Banpará quando era governador, Jader agora é acusado de ter novamente se beneficiado de verbas públicas, dessa vez federais, quando ocupava o Ministério da Reforma Agrária.
De acordo com a matéria publicada pela revista ‘‘Isto ɒ’, a gravação de uma conversa do advogado e ex-subprocurador-geral da República Gildo Ferraz com um antigo cliente, o banqueiro e pecuarista Serafim Rodrigues de Moraes, revela que, em 1988, por US$ 4 milhões, Jader lhe vendeu TDAs emitidos ilegalmente por intermédio do empresário Vivente de Paulo Pedrosa da Silva. A fazenda que o então ministro da reforma agrária pediu para o presidente José Sarney desapropriasse, para fins de reforma agrária, simplesmente não existia, como descobriu pouco depois o Ministério Público Federal.
Na terça-feira, o senador Eduardo Suplicy (PT-SP) deve apresentar na Comissão de Fiscalização e Controle requerimento convidando para depor o advogado Gildo Ferraz, o banqueiro Serafim Moraes e o empresário Vicente de Paula Pedrosa da Silva. Suplicy acredita que o ideal para esclarecer todos os fatos seria a criação da CPI da Corrupção, emperrada pela falta de apenas uma assinatura de senador. ‘‘É a chance de Jader dizer que não é contra a investigação’’, alegou.

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