Jáder diz que não abre mão do PPA
Nelson Breve e Sônia Cristina Silva
Agência Estado - De Brasília
A disputa pela relatoria do Plano Plurianual de Investimentos (PPA) denominado Avança Brasil deverá esquentar na próxima semana, podendo desencadear uma batalha regimental no plenário do Congresso. Os dois lados envolvidos no conflito não demonstram sinais de recuo. A disputa pela relatoria é matéria vencida, já estou trabalhando na programação do PPA, afirmou ontem o presidente nacional do PMDB e líder do partido no Senado, Jáder Barbalho (PA), que não abre mão do cargo de relator e tem o apoio do presidente da Comissão Mista de Orçamento, senador Gilberto Mestrinho (PMDB-AM).
O PMDB está isolado nessa batalha. Os demais partidos defendem a indicação do relator do PPA pela liderança do PSDB na Câmara e contam com o apoio do presidente do Congresso, senador Antonio Carlos Magalhães (PFL-BA). Os líderes desses partidos pretendem tornar inviáveis as reuniões da Comissão de Orçamento para forçar uma solução política.
Ontem, depois que a sessão da comissão foi encerrada por falta de quórum, o líder do PT na Câmara, José Genoino (SP), propôs a Mestrinho um encontro dele com todos os líderes dos partidos, na terça-feira, quando cada um dos lados poderia expor as razões. Eu vou responder ao apelo das lideranças e participo de reuniões quantas vezes elas quiserem, respondeu ontem Mestrinho. Mas vou levar comigo o relator do PPA, o senador Jáder Barbalho, avisou.
Mestrinho frisou ainda que pretende discutir na reunião o conteúdo do PPA, uma vez que considera superada a discussão sobre a relatoria. Até ontem, Barbalho só admitia uma concessão: dividir os cargos de sub-relatores entre os partidos, de acordo com o tamanho de cada um.
Se não houver acordo no encontro de terça-feira, os líderes insatisfeitos partem para o confronto. Começaria, então, a batalha pelas questões de ordem contra a decisão de Mestrinho. Os questionamentos podem ser levantados na própria Comissão Mista de Orçamento ou numa sessão plenária do Congresso.
Para bancar a posição, Mestrinho alega que o regimento do Congresso impede que o presidente da Comissão de Orçamento e os relatores dos projetos de Orçamento e de diretrizes orçamentárias sejam do mesmo partido e Casa, mas que a proibição não inclui o PPA.





