O ex-presidente do Senado Jader Barbalho (PMDB-PA) admite, pela primeira vez, renunciar ao mandato de senador para não ficar impedido de disputar eleições até 2010. Ele vai esticar a corda ao ponto máximo de tensão no Conselho de Ética e Decoro Parlamentar do Senado nesta semana, insistindo em sua inocência e na apresentação de sua defesa, mas não permitirá que lhe cassem o mandato. ''Meu futuro político depende do Pará, e não do Congresso'', afirmou Jader, numa demonstração clara de que renunciará, assim como fez seu desafeto Antonio Carlos Magalhães (PFL-BA).
Jader disse estar ''cansado e decepcionado'' com o rumo que seu processo tomou e com a atuação do Senado em seu caso, e não manifesta nenhum interesse em disputar uma nova vaga de parlamentar em 2002. Ainda assim, está longe de mostrar desencanto com a política. Aos amigos com quem discute o futuro, disse que pretende buscar refúgio na província, concorrendo ao governo do Pará.
Nas conversas sobre o futuro, o senador tem citado o resultado de uma pesquisa de opinião encomendada a um instituto de sua confiança em que seu nome aparece como o preferido por cerca de 40% do eleitorado do Estado. ''O sentimento do povo do Pará é o de que sou vítima e não estaria nesta situação, se não tivesse disputado a presidência do Senado'', afirmou.
Jader ganhou um round da guerra contra a cassação semana passada, recorrendo à Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) para garantir a apresentação de sua defesa ao Conselho de Ética. Tudo para evitar a votação do relatório da subcomissão de inquérito, que propõe a abertura de processo contra ele por quebra de decoro parlamentar. A CCJ deve manifestar-se sobre o recurso na quarta-feira.

mockup