Jader depõe hoje sob forte pressão
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terça-feira, 28 de agosto de 2001
Rosa Costa e<BR>Gilse Guedes<BR>Agência Estado 
Os integrantes da Comissão de Ética, encarregada de apurar as denúncias sobre os desvios de recursos do Banco do Estado do Pará (Banpará), ouvem hoje o depoimento do presidente licenciado do Senado, Jader Barbalho (PMDB-PA). Qualquer que seja a estratégia de defesa de Jader, os senadores que tomam o depoimento estão certos de que dispõem de dados para deixá-lo acuado. De acordo com o senador Romeu Tuma (PFL-SP), a pergunta-chave que Jader terá de responder é: se é dele a assinatura feita em três cheques utilizados para aplicar recursos desviados do Banpará.
No entender do senador Jefferson Péres (PDT-AM), os indícios contra Jader ficaram ontem ''mais claros'' com a revelação do ex-gerente do Itaú, Getúlio Motta Netto, de que Jader foi pessoalmente ao Rio de Janeiro para abrir a conta onde transitou recursos do Banpará. Motta também disse que alguma vezes ele dava ordens por telefone para movimentar a conta.
Mesmo se Jader decidir ficar calado, os senadores deverão confrontá-los com informações fornecidas pelo relatório do Banco Central sobre o seu envolvimento no desfalque. Se Jader adotar a costumeira prática de dizer que está sendo vítima de ''uma campanha orquestrada'', os senadores vão insistir nas perguntas.
A senadora Heloísa Helena (PT-AL) assegura que a comissão já dispõe de elementos para provar que Jader quebrou o decoro nas vezes em que ocupou a tribuna para se defender. Para Tuma, Jader só se livrará da acusação de ter sido beneficiado com dinheiro público se, em vez de discursos, ele apresentar provas.
Ontem, Jader disse que o conselho tem a ''obrigação'' de provar como ele infringiu o Código de Ética, antes de abrir um processo por quebra de decoro parlamentar. ''Eu tenho um parecer do BC que é muito claro'', defendeu-se. Ele confirmou que irá ao depoimento.


