O presidente do Congresso, senador Jader Barbalho (PMDB-PA), terá de explicar hoje, durante o depoimento à Polícia Federal (PF), a ligação pessoal entre o pai dele, Laércio Barbalho, e o ex-superintendente-adjunto do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) no Pará Henrique Santiago, um dos negociadores da desapropriação irregular da Fazenda Paraíso. Santiago morreu em 1989, num acidente de carro e, segundo o corregedor do Senado, Romeu Tuma (PFL-SP), as causas deverão ser investigadas novamente pela polícia.
Tuma informou que o nome de Santiago estava na agenda da mulher do ex-banqueiro Serafim Rodrigues Morais, Vera Arantes Dantas, que negociaram a venda de Títulos da Dívida Agrária (TDAs) com o empresário Vicente de Paula Pedrosa da Silva, a quem acusaram de ser intermediário de Jader. ‘‘Os primeiros contatos na venda das TDAs foram feitos por Santiago. Por isso, é importante verificar o que realmente aconteceu com ele, já que sua morte não foi natural’’, afirmou Tuma.
Tuma informou que, na agenda de Vera, consta a compra de dois lotes de TDAs de Santiago e um dos pagamentos – hoje em torno de US$ 2 mil – foi feito por ordem bancária. O ex-superintendente-adjunto do Incra seria ligado à família Barbalho por laços de amizade com Laércio Barbalho, que, hoje, cuida de negócios do filho. ‘‘Ele sempre dizia que era amigo pessoal do pai de Jader’’, afirmou na sexta-feira o ex-superintendente do Incra, Ronaldo Barata, em depoimento ao delegado da PF Luiz Fernando Ayres Machado.

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