Jader cede e diz que vai se licenciar
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quinta-feira, 19 de julho de 2001
Eugênia Lopes e Cida Fontes Agência Estado De Brasília 
O presidente do Senado, Jader Barbalho (PMDB-PA), está disposto a se licenciar do cargo por 120 dias e até do mandato de senador para se defender das acusações de desvio de verbas públicas do Banco do Estado do Pará (Banpará), na época em que era governador do Estado. A decisão de Jader foi comunicada ontem à tarde aos líderes do PPS, senador Paulo Hartung (ES), do PT, senadora Heloísa Helena (AL), e do PSDB, senador Sérgio Machado (CE).
Sem alternativa, Jader cedeu às pressões políticas de todos os partidos, inclusive do PMDB, que consideram sua situação insustentável como presidente do Senado. À noite, interlocutores de Jader informaram que o senador está em Brasília, depois de ficar dias sumido, para encaminhar à Mesa do Senado o pedido.
Não sabemos se o melhor é a licença ou a renúncia; isso é uma decisão pessoal dele (Jader), sustentou Heloísa Helena, durante todas as longas conversas dos últimos dias para negociar a saída do presidente do Senado. Interlocutores de Jader Barbalho tentaram fechar um acordo com oposição para que a investigação contra o senador no Conselho de Ética fosse suspenso, assim que ele se afastasse do cargo.
Essa investida fracassou porque a oposição não abriu mão de prosseguir com as investigações no âmbito do Congresso, mesmo com a perspectiva de o senador Gilberto Mestrinho (PMDB-AM), presidente do Conselho e aliado de Jader, engavetar o pedido de abertura de processo contra o presidente do Senado.
As negociações para que Jader se afaste do cargo foram intensificadas em reuniões sucessivas entre governistas e oposição, que se prolongaram na madrugada de ontem e ao longo do dia. Enquanto o líder do PMDB, senador Renan Calheiros (AL), fazia contatos telefônicos com Jader Barbalho, os senadores Hartung, Heloísa Helena e Sérgio Machado fizeram uma conferência telefônica em viva-voz. A oposição obteve o compromisso do PMDB de que o partido irá apoiar o pedido para a abertura de processo contra Jader, que será encaminhado pelo Supremo Tribunal Federal (STF).
Ficou acertado que, na próxima quarta-feira, será convocado o Colégio de Líderes para avaliar politicamente o quadro e definir a tramitação dos requerimentos que solicitam providências sobre as denúncias contra Jader. Ontem, a casa do líder do PSDB, senador Sérgio Machado (CE) transformou-se no quartel-general para articular o afastamento de Jader. Foi um dia intenso de conversas e trocas de telefonemas cifrados e de idas e vindas na disposição do presidente do Senado em se licenciar do cargo. Ele está se licenciando porque não tem outra alternativa, concluiu um interlocutor de Jader.
Na avaliação de aliados do senador, o limite para Jader é a licença do cargo. Jader dificilmente concordará em renunciar ao cargo de presidente do Senado e muito menos do mandato.


