Acuado por denúncias que vão do desvio de verbas do Banco do Estado do Pará à bilionária fraude da Sudam, o presidente do Senado, Jader Barbalho (PMDB-PA), reagiu ontem ao ataque, mesmo antes de saber da prisão de envolvidos nas irregularidades da superintendência. Em discurso de 1h15, sem apartes, fez acusações genéricas e insinuações contra colegas, mas não citou nomes.
Na defesa, o senador admitiu que comprou uma fazenda do empresário José Osmar Borges, apontado pelo Ministério Público (MP) como o maior fraudador da Sudam. Mas negou, enfático, qualquer irregularidade na operação. Segundo ele, a participação de sua atual mulher, Márcia Cristina Zahluth Centeno, na sociedade com Borges para a compra da fazenda foi simbólica (R$ 207) por motivos pessoais. ‘‘Eu estava num processo de separação (da primeira mulher, Elcione), e qualquer coisa no meu nome entraria na partilha.’’
Jader disse que há irregularidades em outros órgãos do governo, como a Superintendência do Desenvolvimento do Nordeste (Sudene). E, em tom irônico, disse que não seria ‘‘leviano’’ em acusar quem indicou superintendentes da Sudene por supostos crimes cometidos pelos apadrinhados.
Sentado na primeira fila, o senador Antonio Carlos Magalhães (PFL-BA), que indicou para a Sudene o ex-governador e hoje senador Paulo Souto (PFL-BA), permaneceu calado durante todo o discurso.
Em sua defesa, Jader afirmou que não tem empresas em nome de genros, numa referência ao fato de César Mata Pires, marido da filha de ACM, Tereza, ser um dos sócios da empreiteira OAS. Jader atribuiu o que considera ‘‘campanha’’ contra ele ao seu embate com o colega baiano, embora sem citá-lo nominalmente. ‘‘Resolvi enfrentar um dos donos do mundo e estou pagando o preço’’, afirmou.
Em entrevista, Jader afirmou que não irá renunciar à presidência do Senado e considerou a tese, defendida pela oposição, ‘‘esdrúxula’’ e ‘‘antidemocrática’’. Disse ainda que irá convocar a Executiva Nacional do PMDB para decidir a sua substituição no comando do partido.
Questionado se temia afastamento do Palácio do Planalto, respondeu com uma ameaça velada. ‘‘Não me afastei do presidente Fernando Henrique apesar de todas as denúncias que pesam sobre o governo’’, disse, citando o episódio conhecido como ‘‘dossiê Caribe’’ (conjunto de papéis sobre uma suposta conta bancária de tucanos em paraíso fiscal).

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