Jader anuncia adesão e amplia crise
O presidente do Congresso, senador Jader Barbalho (PMDB-PA), anunciou ontem a decisão de assinar o requerimento para a instalação de uma comissão parlamentar de inquérito (CPI) destinada a investigar denúncias de irregularidades e corrupção no governo. Mas, para evitar pegar o Palácio do Planalto de surpresa, antes de subir à tribuna, Jader reuniu-se pela manhã com o presidente Fernando Henrique Cardoso e o avisou sobre o discurso que faria à tarde no plenário e a disposição de assinar o requerimento da CPI.
Jader resolveu assinar o pedido de CPI ontem pela manhã, logo após ler os jornais. Na véspera, Fernando Henrique havia acertado com o presidente do Senado enviar-lhe uma carta conclamando todos a pôr, em primeiro lugar, os interesses do Brasil e acabar com as divergências pessoais. O acerto previa que, com esta carta na mão, Jader subiria à tribuna para dizer que o Ministério Público (MP) estava investigando todos os casos levantados no requerimento da CPI da Corrupção e que, atendendo ao pedido do presidente da República, não assinaria o pedido de abertura de CPI. Mas, ao ler o noticiário, em especial uma reportagem que o acusava de grilagem no Pará, Jader decidiu apoiar a CPI.
Antes tomou o cuidado de avisar Fernando Henrique. Depois, o partido dele, o PMDB, que fez de tudo para tentar que Jader desistisse da idéia. Mas o presidente do Senado não atendeu ao pedido dos companheiros de legenda. Desejo que a CPI tenha sucesso nos esclarecimentos porque algumas figuras acham que o País não tem memória, disse o presidente do Senado. A situação atual lembra-me a de uma velha prostituta pregando a castidade neste País, ironizou.
Para assinar o requerimento da CPI, Jader impôs como condição a inclusão de mais oito casos a serem investigados, como a apuração de irregularidades em empréstimos concedidos pelo Banco do Nordeste do Brasil (BNB), de supostas fraudes da empreiteira OAS e no Serviço de Atendimento ao Consumidor (SAC) da Bahia e as vinculações do senador Antonio Carlos Magalhães (PFL-BA) com o Banco Econômico, no episódio conhecido como a pasta rosa. Quero ser investigado e o importante, agora, é que o PMDB assine o requerimento, sustentou ACM.
Além de Jader, mais quatro senadores do PMDB haviam assinado até ontem o pedido de CPI: Pedro Simon (RS), Maguito Vilela (GO), José Fogaça (RS) e Roberto Requião (PR). O senador José Alencar (PMDB-MG) prometeu assinar o pedido. No PFL, apenas ACM tinha assinado o requerimento. Waldeck Ornelas (PFL/BA), afilhado política de ACM, e Paulo Souto (PFL/BA) não pretendem assinar. No Senado, são necessárias 27 assinaturas para a abertura de CPI - até ontem, havia 21 assinaturas (16 de senadores de siglas de oposição, quatro de peemedebistas e uma de ACM).





