O senador Jader Barbalho (PMDB-PA) vai esperar uma decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) antes de renunciar ao mandato, o que estava previsto para ontem. Na semana passada, Jader entrou com mandado de segurança no STF para impedir a abertura de processo por quebra de decoro contra ele no Conselho de Ética do Senado.
Se o processo for aberto, Jader não poderá renunciar sem correr o risco de perder o mandato e os direitos políticos por até oito anos. Para evitar o julgamento e manter pelo menos o direito de se candidatar em 2002, ele precisaria renunciar antes de a Mesa do Senado determinar a abertura do processo, o que deve ficar para o início da próxima semana.
A expectativa de Jader em relação ao julgamento do Supremo é pessimista, mas o senador paraense tem mais esperança na atual ação do que na que seus advogados haviam impetraram dias antes para evitar a votação no Conselho de Ética. Na primeira ação, também um mandado de segurança, Jader alegava que o conselho estaria subtraindo uma competência que era do STF. Perdeu. Agora, alega cerceamento do direito de defesa.
Para citar os dois últimos julgamentos ocorridos no Conselho de Ética, os de Antonio Carlos Magalhães e José Roberto Arruda, ambos não só foram interrogados pelo plenário do conselho, como foram ouvidas testemunhas, realizadas duas perícias pela Unicamp (no painel eletrônico) e ouvidas testemunhas, que confessaram a violação do painel.
Pouco antes, no caso do ex-senador Luiz Estevão, até seus advogados de defesa foram ouvidos. Só após todos esses procedimentos é que o processo foi encaminhado à Mesa, que então determinou a abertura do processo: ACM e Arruda renunciaram antes. Estevão enfrentou foi cassado.
Jader alega que nada disso ocorreu agora: não houve contraditório no conselho (ele fez um discurso), não apresentou testemunhas nem a perícia sobre os desvios do Banpará, que está sendo concluída pela Justiça estadual. O prosseguimento do processo agora pressupõe um dano irreparável depois, a renúncia.
O ex-presidente do Senado diz que essa perícia (que é acompanhada por peritos seus, do Ministério Público, do Banpará e do próprio Judiciário) provará não só que ele não se beneficiou de recursos do Banpará como também que ''não ocorreram os supostos desvios''. Segundo Jader, os balanços do banco jamais escrituram o suposto desfalque.
Uma decisão desfavorável do STF deve levar Jader a renunciar antes desse prazo, pois dificilmente a perícia judicial ficará pronta até segunda. Em seu lugar, assumirá o terceiro suplente Fernando de Castro Ribeiro, que também é citado nas investigações do caso Sudam.

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