Jacks Dias nega irregularidades em licitação da merenda
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quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011
Paula Barbosa Ocanha <br> Reportagem Local 
O Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) cumpriu ontem mais um mandado de busca e apreensão em um apartamento onde reside o vereador Jacks Dias (PT), mas nada foi apreendido. O vereador está sendo investigado porque teve seu nome citado por um dos investigados no caso da empresa SP Alimentação, que está colaborando com o Ministério Público (MP) de São Paulo. O réu teria revelado um esquema de fraude em licitações que a empresa fazia em vários municípios do País, com auxílio de agentes públicos. Em entrevista coletiva na Câmara de Vereadores, Jacks - que foi secretário de Gestão Pública na administração do petista Nedson Micheleti (2001/2008) - negou que tenha recebido propina ou facilitado a licitação para a empresa, que venceu a conta para fornecer merenda escolar em 2006 quando o vereador era secretário de Gestão Pública na Administração de Nedson Micheletti (PT).
''Meu relacionamento com a empresa era normal, como qualquer secretário de Gestão Pública deve agir. Nunca recebi nenhuma oferta de propina e não aceitaria essa oferta. Logo a verdade vai chegar às pessoas, porque nada aconteceu'', salientou o vereador. Jacks ainda ressaltou que, mesmo que a empresa tenha fraudado licitações em outros municípios, em Londrina o contrato foi vencido e executado dentro da legalidade. ''Não só eu afirmo que não houve irregularidades como o ex-controlador do Município, Milson Dias, afirmou na Câmara Municipal que não houve problemas nem na licitação nem na execução do contrato.'' Segundo ele, na época cerca de cinco empresas concorreram à conta da merenda escolar, no valor de R$ 10,4 milhões por três anos, cerca de R$ 288 mil por mês.
O advogado de Jacks, João dos Santos Gomes Filho, salientou que o vereador está sendo investigado porque foi apontado por um réu colaborador que ''quer tirar a atenção do MP de São Paulo de cima de si''. ''Assim sai o foco de cima dele e vem para cá, dando um respiro para ele. Eu nunca vi em toda minha carreira profissional uma delação premiada que começa assim dar certo, porque é tudo muito apressado e fruto de um dedo-duro social.''
O promotor de Defesa do Patrimônio Público, Renato de Lima Castro, afirmou que o Gaeco já esperava dificuldades de encontrar algum documento na casa do vereador, já que a ''diligência foi feita na sexta-feira e o MP não tinha conhecimento do novo endereço do vereador''. ''Claro que o fato da primeira busca ter sido realizada na sexta-feira dificultou a busca de hoje (ontem), mas o MP tinha a obrigação de procurar esses documentos.''
Ele ainda ressaltou que não houve prejuízo à operação porque o que seria apreendido na residência do vereador só serviria para ''fortalecer o quadro''. Ainda essa semana o advogado de Jacks terá acesso aos documentos apreendidos.
Segundo o réu colaborador, o esquema de fraude começava na licitação, quando a empresa vencia a conta simulando uma concorrência com empresas do mesmo dono. Após assinar o contrato, o lobista da SP Alimentação, J.N.P.S. pagaria entre 5% a 8% do valor do contrato em dinheiro, mensalmente, para o agente público que havia facilitado a contratação.


