Jacks Dias é indiciado por suposto mensalinho
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segunda-feira, 26 de abril de 2010
Wilhan Santin<br>Reportagem Local 
O vereador e ex-secretário municipal de Gestão Pública Jacks Dias (PT), foi indiciado ontem por concussão (extorsão praticada por agente público). Jacks é investigado pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), por supostamente ter recebido um ''mensalinho'' da empresa Sertcon, que pertence ao Grupo Setrata, das empresárias Marli Batilani e Monica Amstalden, quando o atual vereador ocupava o cargo na gestão petista de Nedson Micheleti (2005-2008). A empresa prestava serviços terceirizados à Autarquia Municipal de Sa© úde. As denúncias vieram à tona em reportagem exclusiva da FOLHA, publicada no último dia 16, e foram feitas por um ex-funcionário da terceirizada.
Ao se apresentar ontem pela manhã ao delegado do Gaeco, Alan Flore, que preside o inquérito, para prestar depoimento, Jacks optou por somente se manifestar em juízo. Ele se silenciou diante das dez perguntas feitas pelo delegado.
Quarenta e dois minutos depois de adentrar a sala do delegado, Jacks não quis conceder entrevistas ao sair. Falou o advogado que o representa, João dos Santos Gomes Filho. ''Pelo fato de não conhecer a investigação, o Jacks preferiu ficar em silêncio. Eu apresentei essa situação ao delegado. Combinamos que alguém do meu escritório pegará uma cópia do inquérito aqui. Na sequência, vou fazer um pedido para que meu cliente seja reinterrogado'', comentou Gomes Filho.
Sobre o dinheiro pago pelas empresárias, o advogado disse que, ''pelo seus levantamentos'', há sim uma contribuição. Porém, não soube precisar o valor. ''O vereador não tem nada a ver com essa questão. A contribuição foi para o partido (PT)'', argumentou. ''O problema é que tem um viés que tudo isso nasceu de uma reportagem veiculada na imprensa com a entrevista de um cidadão que desde o começo tem tomado atitudes típicas de quem fez uma extorsão e não conseguiu'', acusou, referindo-se ao ex-funcionário da Setrata, que fez as denúncias ao jornal e ao MP.
Questionado se teria provas dessa extorsão, Gomes Filho foi evasivo. ''Mais do que provas disso, tenho a sabedoria de como a coisa andou. Ele foi várias vezes ao gabinete do Jacks.'' E por que o vereador não denunciou? ''Essa é uma situação de foro íntimo. Se todas as vezes que nós formos objeto de chantagem formos pressionados por essa pergunta, nós não vamos poder fazer a opção de não apontar e identificar o cidadão'', desconversou.
Coação
O delegado Alan Flore confirmou que o vereador ficou em silêncio durante o depoimento, fazendo uso de seu direito constitucional. Sobre o acordo com o advogado de voltar a interrogar o vereador, Flore disse que isso pode não acontecer. ''Não posso ficar protelando. Minha obrigação é oportunizar a ele um momento para a defesa, o que aconteceu hoje (ontem). Pode ser que eu não venha a ouvi-lo novamente'', explicou.
Ele também comentou que as investigações apontam que houve sim coação de Jacks Dias sobre as empresárias, mesmo que implicitamente. ''As informações dão conta que um valor de R$ 4 mil a R$ 6 mil teria sido sacado mensalmente da contabilidade da empresa ao longo de aproximadamente dois anos. Apuramos que a empresa teria vencido uma licitação junto à Autarquia Municipal de Saúde. Naquela época, em 2006, a Prefeitura municipal pretendia centralizar todos os contratos, inclusive aqueles feitos pela autarquia. Temendo uma eventual rescisão no contrato, as empresárias buscaram a administração pública. Nesse momento, houve o pedido (do pagamento de 'mensalinho'). O fato de o dinheiro ser exigido para uma pessoa ou para o partido político não faz diferença para caracterizar o crime'', explicou.
O delegado tem até o dia 7 de maio para concluir o inquérito, mas declarou que pretende entregar a denúncia à Justiça ainda no mês de abril.


