Josoé de Carvalho/Folha de Londrina




Sem políticaO depoimento do presidente da Cohab, José Caetano Perri (acima), durou mais de uma hora e meia. Tanto Perri quanto o diretor técnico da Companhia, Heleno Solano Rabello (abaixo), evitaram falar sobre as declarações feitas pelo deputado José Janene e publicadas em um jornal de BrasíliaSe depender do presidente da Comissão Especial de Inquérito (CEI) que investiga denúncias de irregularidades administrativas na Companhia de Habitação de Londrina (Cohab), vereador Jaci Aguiar (PDT), os trabalhos da CEI podem tomar outros rumos. Pelo menos foi o que ele declarou ontem, depois de ouvir os depoimentos do diretor técnico da Cohab, Heleno Solano Rabello, e do presidente da Companhia, José Caetano Perri. Perri falou mais de uma hora e meia. Ao final de seu depoimento, Aguiar declarou à imprensa que ‘‘nenhum fato relevante foi apurado até agora’’. ‘‘Mais importante que isso é reduzir o déficit habitacional de Londrina’’, defendeu o vereador.
Somente depois das insistentes perguntas dos repórteres sobre os reais objetivos da comissão e a investigação sobre a construção de casas no conjunto Ilda Mandarino, zona norte, o vereador reconheceu ser um problema a falta de laudo que ateste a qualidade das casas. As moradias estão sendo construídas através de um projeto-piloto, sem custos para o município, segundo a Cohab, mas não têm laudo técnico. As casas usam telhas de fibrocimento (‘Eternit’) ao invés de tijolos quando as paredes são levantadas. O projeto é da Grande Piso Revestimentos Ltda, de Foz do Iguaçu, que construiu casas como essas na Vila Tecnológica, em Curitiba, em Foz do Iguaçu e Irati. Em Foz, moradores detectaram deficiências, como a Folha mostrou ontem.
Sobre as casas construídas em Foz, Perri afirmou que são diferentes das que estão sendo executadas em Londrina. ‘‘Aqui tem parede, acabamento. É prontinha e quando elas ficarem prontas eu convido toda a população a conhecê-las’’.
Ele declarou não considerar um problema a falta de laudo técnico. ‘‘As casas só serão aprovadas depois de 18 meses de teste’’, argumentou. Ele disse à CEI que seu objetivo ao autorizar a execução do projeto-piloto foi possibilitar o teste de novas tecnologias em Londrina. Ontem, ele convidou construtoras de todo o País a desenvolver projetos no município, desde que sejam executados sem custos para a Companhia. A Cohab se propõe a oferecer o terreno. ‘‘Haveremos de produzir moradia a baixo custo em Londrina’’, declarou. Ele acredita ter ‘‘vendido credibilidade’’ aos vereadores.
Perri depôs antes do diretor técnico. Rabello falou mais de uma hora. Os dois evitaram falar de política e do deputado federal José Janene (PPB), pivô da CEI. Foi depois de uma reportagem publicada pelo jornal ‘‘Correio Braziliense’’, de Brasília, que a Comissão foi criada, a pedido do prefeito Antonio Belinati (PDT). Na reportagem, Janene teria exigido ao sobrinho de Belinati, Dante Belinati Guazzi, a demissão do diretor técnico da Cohab.
A CEI ainda não decidiu se convocará o deputado e Dante Guazzi. A decisão deve sair de uma reunião na sexta-feira, às 17 horas. Janene negou as declarações e diz estar processando o jornal. O sobrinho de Belinati diz que não tem nada a declarar sobre o assunto.
O prefeito disse ontem que ‘‘fará o que a comissão determinar’’. ‘‘Se eventualmente houve um delito, alguém vai pagar pelo erro. Uma medida extrema é a demissão do cargo e a outra, as punições previstas em lei’’.
Representantes do Sindicato dos Engenheiros de Londrina, Sinduscon (Sindicato da Indústria da Construção Civil) e do Clube de Engenharia e Arquitetura de Londrina acompanharam os depoimentos.

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