'Já recuperei US$ 10 bi ao Brasil', diz Protógenes
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quinta-feira, 17 de setembro de 2009
Paula Costa Bonini<br>Reportagem Local 
Nacionalmente conhecido pelo seu trabalho na Polícia Federal, o delegado Protógenes Queiroz, esteve ontem em Londrina, a convite do Colégio Portinari, para ministrar palestra sobre corrupção e gestão pública.
Protógenes, afastado do cargo em julho do ano passado, investigou os ex-prefeitos de São Paulo Celso Pitta e Paulo Maluf (PP), além do contrabandista Law Kin Chong e do megainvestidor Naji Nahas. Ele ganhou notoriedade ao comandar a primeira etapa da Operação Satiagraha, reponsável por investigar supostos crimes financeiros atribuídos ao banqueiro Daniel Dantas, do Opportunity. Nessa época, Protógenes, acusado de pedir a colaboração de agentes da Agência Brasileira de Inteligência (Abin) durante as investigações, acabou sendo afastado da Polícia Federal.
Em entrevista à FOLHA, o delegado fez uma avaliação positiva das investigações que realizou. ''Ao longo de minha trajetória recuperei aproximadamente US$ 10 bilhões ao Brasil'', disse, ressaltando que somente no caso de Dantas conseguiu recuperar mais de US$ 3 bilhões, além da condenação de 10 anos de reclusão do banqueiro e da multa de R$ 12 mi.
Segundo ele, o Brasil avançou. ''No passado nós não conseguíamos nem investigar as pessoas. Hoje podemos prender políticos corruptos e recuperar muito dinheiro.'' No entanto, apesar do avanço, Protógenes afirma que o Judiciário brasileiro necessita de uma reforma ampla. ''No Brasil é visível que existem duas justiças: uma para os ricos e poderosos, que conseguem se livrar das condenações, e outra para as pessoas humildes que são vítimas do sistema'', falou o delegado que defende a abertura de varas especializadas para combater o crime organizado e a corrupção que assola o país.
''Esses escândalos são um desrespeito com os cidadãos e eleitores que ficam submetidos a troca de insultos mútuos entre os nossos representantes. A pauta do Congresso está paralisada e sempre envolvida em escândalos'', reclamou Protógenes.


