Itaú e transgênicos na agenda de Requião
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 14 de janeiro de 2004
Maria Duarte<br>Equipe da Folha 
Curitiba Salvo mudança de última hora, a agenda do governador Roberto Requião (PMDB) contém hoje dois temas administrativos bastante delicados: a guerra contra a liberação de transgênicos no Estado e a concentração forçada das contas públicas junto ao banco Itaú.
A tarde começa com uma reunião no Palácio Iguaçu, às 14 horas, entre o governador e Osmar Amaral, representante da Nortox, indústria de defensivos que fornece produtos e serviços ao mercado agrícola. A assessoria do governador não adiantou qual será o teor da reunião. Desde o início de seu governo, em janeiro de 2003, Requião trava uma batalha contra os transgênicos no Estado, e a Nortox fornece entre seus produtos o glifosato, herbicida que pode ser usado nas lavouras de soja transgênica.
No final do ano passado, uma decisão da Justiça derrubou a lei estadual que proibia o plantio e a comercialização de transgênicos no Paraná. E em dezembro o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) regulamentou, no País, o plantio e a comercialização dos organismos geneticamente modificados. Requião não recuou no combate aos transgênicos. O governador diz que não quer ver os produtores do Paraná reféns da multinacional norte-americana Monsanto, para quem teriam que pagar royalties pelo uso da tecnologia.
Já em relação ao Itaú, a briga de Requião também é antiga. O governador quer tirar o monopólio das contas do Estado do banco paulista, que comprou o Banestado em leilão em outubro de 2000. Com a privatização, o Itaú fechou acordo com o governo Jaime Lerner (PSB) para manter a exclusividade sobre o gerenciamento das contas por dez anos.
A audiência com o presidente do Itaú, Roberto Setúbal, está marcada para as 15 horas. Em dezembro, o Supremo Tribunal Federal (STF) suspendeu a lei estadual que retirava do Itaú a exclusividade de gerir, por dez anos, as contas do governo do Estado. Essa lei foi proposta pelos deputados da CPI do Banestado e determinava que o Poder Executivo tomasse providências para que os atos e contratos celebrados com instituições financeiras privadas fossem desfeitos. A decisão saiu com base na Ação Direta de Inconstitucionalidade (Adin) ajuizada pela Confederação Nacional do Sistema Financeiro (Consif).
Procurada pela Folha, a assessoria de imprensa do Itaú, em São Paulo, confirmou ontem a reunião entre Setúbal e Requião. Segundo a assessoria, é praxe na empresa visitar os grandes clientes, como é o caso do Estado do Paraná.


