Itaú confirma aplicações de Jader
O Banco Itaú confirmou à comissão de investigação do Conselho de Ética e Decoro Parlamentar do Senado as aplicações financeiras feitas pelo presidente licenciado do Congresso, senador Jader Barbalho (PMDB-PA), que tiveram a complementação de cheques administrativos do Banco do Estado do Pará (Banpará). Em pelo menos quatro operações, aparecem cheques pessoais do senador, quando era governador do Pará.
A confirmação das aplicações será o principal item do relatório que será apresentado hoje pelos senadores ao Conselho de Ética, quando será recomendada a abertura de processo por quebra de decoro contra o senador paraense. A informação, levantada pela comissão, com a ajuda de técnicos do Banco Central (BC), praticamente derruba a tese de Jader, que negou em depoimento, há 13 dias, que usara dinheiro do Banpará nas transações.
O presidente interino do Conselho de Ética, Geraldo Althoff (PFL-SC), está disposto a marcar uma sessão ainda esta semana para votar o relatório, que deve ser aprovado. O grupo de senadores que está convencido de que Jader está envolvido na fraude, no entanto, terá de vencer obstáculos, uma vez que o PMDB prometeu comandar manobras para adiar a aprovação.
As aplicações tinham sido reveladas em 1992 pelo inspetor Abrahão Patruni Júnior, do BC. Além de explicar, detalhadamente, esta aplicação, o relatório relaciona e detalha outras quatro operações, sempre envolvendo cheques pessoais de Jader e administrativos do Banpará. Além disso, mostra como foi feita uma transferência de R$ 300 mil do Itaú para o Citybank, também feita pelo senador. Ontem à noite, os integrantes da comissão de investigação estavam aguardando um documento do BC para comprovar que o presidente licenciado do Senado sabia, ao contrário do que tinha afirmado, que o nome dele estava incluído no texto de Patruni.
Ontem, o senador João Alberto Souza (PMDB-MA), um dos três integrantes da comissão, anunciou que deverá apresentar um voto em separado porque é contrário à tese de que Jader mentiu. Aliado do senador paraense, ele informou ainda que pedirá um período de 48 horas para analisar as conclusões dos dois outros colegas os senadores Romeu Tuma (PFL-SP) e Jefferson Peres (PDT-AM) para, depois, encaminhar o voto.





