Brasília - Perder o controle em uma reunião, ainda que uma única vez, ou levantar a voz pode significar a perda de um cliente para sempre. Este é apenas um dos conselhos de um detalhado manual elaborado pelo Departamento de Promoção Comercial (DPR) do Itamaraty para os 330 empresários que confirmaram presença na delegação que acompanhará a visita do presidente Luiz Inácio Lula da Silva à China (leia mais sobre a viagem na Folha Economia). Com algumas indicações de usos e costumes locais, o texto foi posto à disposição da delegação oficial e deverá tornar-se uma espécie de guia para os exportadores brasileiros.
Na prática, o manual do DPR conduzirá o empresário pela mão em Pequim e Xangai. Extremamente minucioso, em suas 151 páginas, traz recomendações como a de não beber água da torneira, de tomar cuidado ao atravessar as ruas, mal-iluminadas e mal-sinalizadas, e de guardar os objetos de valor no hotel, e também expressões em mandarim ''xiexie'' quer dizer obrigado.
Além de informações sobre a taxa de câmbio, o desembarque e o deslocamento, onde se hospedar, horário comercial etc., o manual detalha as práticas e regras comerciais da China e apresenta dados gerais sobre o país e o comércio como Brasil.
Sobretudo para os que jamais pisaram na China, o manual ajuda o empresário brasileiro deixar uma boa imagem a seus potenciais clientes e evitar deslizes que arriscariam o seu negócio no país. Diz o texto que o primeiro passo para uma presença memorável é trazer cartões de visita escritos em inglês e em chinês nada em português e, ao trocá-los com seu cliente, seguir um pequeno ritual: receber e entregar com as duas mãos, observá-lo com atenção e colocá-lo à sua frente, sobre a mesa de trabalho. Jamais guardá-lo de pronto. Ao final da visita, é aconselhável oferecer um presente relacionado com sua empresa ou com seu país.
O manual lembra que os chineses são, em sua maioria, ''introvertidos e acostumados a pensar de maneira pouco objetiva''. As relações pessoais são muito importantes para eles, o que significa que é melhor dedicar o início de uma reunião a assuntos como os hobbies e a família.
''Tolerância, integridade, honestidade, sinceridade e um pouco de humor podem ser muito úteis para construir uma relação de trabalho estável, constante e duradoura'', afirma.
A perda de controle conduz à perda do cliente, e a voz alta para resolver um problema só vai piorá-lo, alerta o manual. No primeiro encontro, pode-se apertar as mãos do anfitrião, mas deve-se ter paciência para ouvi-lo. Embora não diga explicitamente, o manual indica que os chineses não apreciam manifestações de ansiedade. Portanto, nunca se deve abrir um presente quando recebê-lo nem esperar o mesmo de seu cliente. ''Evite perder o controle ou criticar a China em qualquer circunstância'', aconselha o texto.

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