Itamar vai deixar a política
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sexta-feira, 19 de julho de 2002
Eduardo Kattah<br>Agência Estado 
Belo Horizonte - Se a pretensão anunciada esta semana pelo governador Itamar Franco (PMDB-MG) de abandonar a vida pública ao final do seu mandato e dedicar-se aos estudos sobre energia nuclear se confirmar, o governador estará encerrando uma trajetória de 50 anos, marcada pela controvérsia e um estilo bastante peculiar, que estiveram presentes nos principais acontecimentos políticos das últimas décadas.
De 1952 - quando foi eleito presidente do Diretório Acadêmico da Escola de Engenharia da Universidade Federal de Juiz de Fora (MG) -, até ser empossado como vice-presidente da República, em março de 1990, com a vitória de Fernando Collor de Mello, o governador mineiro era um político de expressão regional, que viu frustrada, em 1986, a tentativa de se eleger governador estadual pelo PL, sendo então derrotado pelo atual vice e desafeto, Newton Cardoso (PMDB). Antes, ele havia cumprido dois mandatos (de 1967 a 1971, e de 1973 a 1974) como prefeito de Juiz de Fora e fora eleito duas vezes (em 1974 e em 1982) senador da República por Minas.
Mas a partir do momento em que assume a Presidência, dois anos mais tarde, após o impedimento de Collor, direta ou indiretamente, as digitais de Itamar ficaram impressas nos principais fatos políticos e econômicos do País. No seu mandato foi lançado o Plano Real, o golpe mais eficaz adotado até agora contra a inflação, que levou o então presidente a fazer o seu sucessor - Fernando Henrique Cardoso, que era seu ministro da Fazenda e arregimentou para si a ''paternidade'' da estabilidade monetária. Para muitos, a participação de Itamar no plano econômico foi apenas ''involuntária'', devido ao seu pouco tato com as questões econômicas. Poucos se recordam, porém, que foi o criticado relançamento do Fusca, em 1993, que impulsionou a indústria automobilística a produzir os carros populares, de mil cilindradas.
O governador anunciou, na quinta-feira, que recebeu convite para realizar estudos sobre energia nuclear e que, aos 72 anos, poderá deixar a vida pública. Engenheiro Civil e Eletrotécnico, ele presidiu a Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) sobre o Acordo Nuclear Brasil-Alemanha e, em 1989, publicou um trabalho sobre o assunto (Energia Nuclear - Sua História, 1989; Itamar Franco e Engenharia Edwiges Cardos). Ontem, no município mineiro de Vazante, onde inaugurou obras rodoviárias, Itamar fez, em tom de despedida, uma avaliação de seu governo. ''Eu levo uma recordação grata do povo de Minas. Ainda ontem (quinta-feira), em Uberlândia, senti isso. Um desejo que a nossa administração continuasse.''


