Belo Horizonte – Principal motivador da nova discórdia no ninho tucano, o governador de Minas Gerais, Itamar Franco (PMDB), classificou ontem como ‘‘justa’’ e ‘‘cortês’’ a menção a seu nome feita, na última quinta-feira, pelo ministro José Serra (PSDB) durante o lançamento da candidatura governista.
Serra lembrou, no discurso, que o presidente Fernando Henrique Cardoso, ‘‘levado ao Ministério da Fazenda por Itamar Franco’’, conseguiu derrubar a inflação. Atualmente, Itamar e FHC são inimigos políticos.
‘‘A citação de Serra foi muito importante. Ele não fez como alguns elementos do PSDB que querem esconder a realidade histórica’’, disse Itamar em Frutal, no Triângulo Mineiro, onde inaugurou obras.
‘‘O ministro José Serra teve a delicadeza, a cortesia e a justiça de recordar esse episódio significativo de que o senhor presidente da República passou pelas minhas mãos. Esse carimbo ele (FHC) tem de levar pela vida, mesmo que não queira’’, disse.
As oito palavras que compõem o ‘‘levado ao Ministério da Fazenda por Itamar Franco’’ foram suficientes para levantar críticas do PSDB mineiro a Serra. Os tucanos do Estado avisaram que Serra terá que escolher entre eles e o ex-presidente.
Há algumas semanas, ventilou-se a hipótese de Itamar ocupar a vaga de vice na chapa tucana ou de apoiar a candidatura Serra. Na quarta, o próprio governador disse que tudo era possível; na quinta-feira, passou a negar a hipótese; e, ontem, afirmou que ‘‘a indicação do vice (na chapa de José Serra) cabe ao presidente da República’’.
Sobre o PT, outro partido que busca seu apoio, Itamar não descartou a aliança, mas disse que ‘‘há muita coisa ainda para acontecer’’. Na semana que vem, ele tem um encontro com o presidente nacional do partido, deputado José Dirceu.
Cobiçado por vários presidenciáveis, o governador vem demonstrando que não anda muito animado com sua própria legenda, que, segundo ele, não estaria empenhada em estabelecer regras claras para as prévias de 17 de março.
Inscrito para disputar com o senador gaúcho Pedro Simon e o ministro do Desenvolvimento Agrário, Raul Jungmann, quem será o candidato do partido à Presidência da República, Itamar Franco afirmou não ter expectativa sobre as prévias. ‘‘Nem sei se vão acontecer’’, comentou.
Quanto ao processo movido contra ele no Superior Tribunal de Justiça (STJ), acusando-o de calúnia e difamação contra o presidente Fernando Henrique, disse que ainda não leu o documento e que só depois que os papéis fossem examinados pela Procuradoria Geral do Estado poderia dar sua opinião.
Na quinta-feira, o STJ encaminhou à Assembléia Legislativa de Minas pedido de licenciamento para que Itamar possa ser processado. No ano passado, o governador teria acusado o governo federal de corrupção endêmica e de ter ‘‘comprado’’ votos de convencionais do PMDB para eleger Michel Temer à presidência nacional do partido.

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