Pelo menos um dos pré-candidatos à Presidência em 98 define sua vida política nesta semana. O ex-presidente Itamar Franco, que estimulava desde Washington (EUA) especulações sobre seu futuro, cumpre a partir de hoje uma agenda de candidato, reunindo-se com políticos como Paes de Andrade (presidente do PMDB), Ciro Gomes e José Sarney.
Essa agenda começa no Rio, passa por Brasília e termina com uma festa em Juiz de Fora (MG), seu principal reduto eleitoral. Itamar deve anunciar com pompa sua filiação ao PMDB na próxima sexta-feira. Um dia antes, entrega ao presidente Fernando Henrique Cardoso o cargo de embaixador do Brasil na OEA (Organização dos Estados Americanos). Itamar, que está sem partido, não declarou publicamente sua opção. ‘‘Nem para a dona Itália (sua mãe), lá no céu, ele contou ainda’’, brinca seu amigo José de Castro.
Itamar tem por hábito oficializar esse tipo de decisão no último momento (o prazo de filiação partidária para a eleição de 98 termina em 3 de outubro). Foi assim quando decidiu candidatar-se ao governo de Minas pelo PL, em 1986, e quando se filiou ao PRN, em 1989, tornando-se vice de Fernando Collor. Na filiação ao PL, a assinatura ocorreu pouco depois da meia-noite, com data retroativa.
No PRN, a ficha de filiação foi assinada e enviada imediatamente ao tribunal eleitoral. ‘‘É uma superstição dele. Sempre agiu assim e deu certo. Por que mudar agora?’’, pergunta Alexis Stepanenko, que foi ministro do Planejamento no governo Itamar. ‘‘Quando cobramos definições rápidas, ele vira e diz: ‘Oh, rapaz, e nós mineiros decidimos assim, nas pressas?’ ’’, conta Stepanenko.

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