Itamar se recusa a ir à reunião com FHC
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 19 de fevereiro de 1999
Ivana Moreira Agência Estado 
O ministro das Comunicações, Pimenta da Veiga, esteve ontem em Belo Horizonte com o objetivo de oficializar o convite ao governador de Minas Gerais, Itamar Franco (PMDB), para participar da reunião dos governadores, no dia 26, e obteve um não como resposta. Itamar foi o primeiro governador procurado por Veiga para ser convidado. O governador de Minas Gerais nem sequer atendeu ao telefonema do ministro e mandou apenas um recado por meio do secretário da Casa Civil do Estado, Henrique Hargreves.
O secretário informou ao ministro das Comunicações que Itamar mantém a decisão de só ir ao encontro se o governo federal suspender o bloqueio de recursos do Estado. Minas não será discrimanada, mas também não terá privilégios, disse Veiga. Se o governo fizer isso (suspender o bloqueio) para um, terá de fazer para todos. Veiga ressaltou que a retenção de recursos para cobrir dívidas com a União é um mecanismo legal previsto em contrato e reconhecido pelo Supremo Tribunal Federal (STF).
Ele lembrou ainda que outros Estados inadimplentes com a União estão sofrendo ou sofreram retenção de recursos. Mato Grosso e Santa Catarina foram dois exemplos citados. Na avaliação do ministro mineiro, Minas Gerais tem muito a perder com a decisão do governador porque ficará à parte das negociações. O entendimento seria bom para o País e ótimo para Minas. Veiga chegou a Belo Horizonte no fim da manhã. A primeira atitude dele foi telefonar para Itamar porque, segundo ele, gostaria que o governador mineiro fosse o primeiro a ser oficialmente convidado. Não encontrou Itamar no Palácio da Liberdade, sede do governo, e foi informado por assessores que deveria ligar para o Palácio das Mangabeiras, residência do governador. Um assessor do Palácio das Mangabeiras disse que Itamar também não estava lá e ficou de transmitir o recado. O retorno só veio às 16 horas, por meio de Hargreves.
Da capital mineira, o ministro telefonou a vários governadores, oficializando o convite para a reunião do dia 26. Às 16 horas, havia recebido o sim de dois terços dos governadores, incluindo cinco do bloco de oposição: Anthony Garotinho (PDT), do Rio; Ronaldo Lessa (PSB), do Alagoas; Olívio Dutra (PT), do Rio Grande do Sul; Jorge Viana (PT), do Acre, e João Alberto Capiberibe (PSB), do Amapá.
A conversa mais longa, segundo o ministro, foi com Olívio. Ele não quis comentar o teor das conversas com os governadores, mas disse ter recebido idéias preciosas que serão discutidas na reunião. Estou convencido: dessa reunião, sairá um caminho para a retomada do desenvolvimento. De acordo com ele, o encontro do dia 26 será aberto com um pronunciamento do presidente Fernando Henrique Cardoso e seguido por um debate com os governadores.
A renegociação das dívidas dos Estados não será discutida na reunião. O problema não é a dívida e sim a situação econômica dos Estados. O ministro afirmou que o objetivo do encontro será o de traçar uma ação conjunta entre os governos federal e estaduais para compensar as restrições econômicas e fiscais. Um exemplo de ação conjunta citada por Veiga foi a criação de um fundo previdenciário. A previdência consome mais arrecadação dos Estados do que a dívida, salientou.


