Itamar se despede da OEA e critica Cardoso
O presidente não perde por esperar. Eu sou um ex-presidente da República. Amanhã, o que aconteceu comigo pode acontecer com ele. Essas são algumas das frases demonstrando ressentimento com seu sucessor ditas em Washington ontem por Itamar Franco, depois de ter se despedido da OEA (Organização dos Estados Americanos).
Itamar serviu como embaixador do Brasil junto à OEA por 19 meses. No seu último discurso, defendeu a reintegração de Cuba à entidade: Chegou o momento de fazermos um gesto de grandeza. Mas não foram questões de política externa que ganharam sua atenção na entrevista coletiva que deu após ter sido homenageado pelos seus colegas da OEA. O Brasil precisa de uma proposta alternativa, disse Itamar para defender a decisão de voltar a apresentar seu nome ao PMDB para ser candidato à Presidência.
Para ele, a convenção deste mês, que resolveu não lançar candidato próprio, não teve validade jurídica. Aquela convenção foi uma convenção fascista, onde se percebia que os elementos que ali estavam estavam sendo pagos.
Itamar acusou o governo de ter mudado tudo no Plano Real. Ele reivindicou para si mesmo e para o ex-ministro da Fazenda Rubens Ricupero os méritos pelo plano de estabilidade econômica de 1994. Segundo ele, o grupo econômico do senhor presidente da República, quando deixar o governo, vai servir às empresas multinacionais, fundar seus bancos, vender informações da administração pública a essas empresas.
Perguntado se sente-se traído pelo atual presidente, afirmou que evidentemente o senhor presidente da República participou dessa baderna (a convenção do PMDB). Depois de uma visita a Cuba como cidadão particular, Itamar pretende voltar ao Brasil e lutar para o PMDB lançar candidato próprio. Se não conseguir, Itamar diz que vai procurar outra alternativa, sem especificá-la. (AF)





