O governador de Minas, Itamar Franco (sem partido), disse ontem que o líder do governo no Congresso, o deputado Arthur Virgílio (PSDB-AM), mexeu em uma ‘‘caixa da marimbondos’’ ao insinuar que ele se envolveu com o escândalo da obra superfaturada do TRT de São Paulo. Virgílio usou a tribuna para dizer que, 72 horas antes do fim do mandato na Presidência, Itamar liberou ‘‘por decreto’’, sem consulta ao Congresso, R$ 800 mil para a obra do TRT paulista.
‘‘Fui provocado por uma insinuação cretina e maldosa’’, afirmou Itamar, que foi convidado a depor na subcomissão do Senado que investiga o assunto, no próximo dia 12 de setembro. ‘‘O líder do governo, ao levantar esse assunto maldosamente, vai trazer ao debate questões complicadas’’, acrescentou.
A intenção do governador é fazer um amplo ‘‘rastreamento’’ de todos os procedimentos de seu governo. Ele deve dar ênfase ao período em que já havia sido constituída a comissão de transição para que Fernando Henrique Cardoso o sucedesse. As informações, que servirão de base para seu depoimento, incluiriam dados do Ministério da Fazenda, Secretaria do Tesouro Nacional, Banco Central e Ministério do Planejamento. Anteontem, Itamar reuniu-se, a portas fechadas, em Belo Horizonte, com o ex-ministro da Indústria e Comércio, José Eduardo Andrade Vieira.
O governador afirmou não ter aceito ainda o convite do Senado, sob a alegação de que ainda não examinou os termos da convocação. Ele também quer ‘‘entender por que o atual presidente também não foi chamado’’. Mesmo assim e sem entrar em detalhes sobre o que pretende dizer à subcomissão, Itamar lembrou que muitos ocupantes do atual governo e integrantes do PSDB eram seus assessores, quando ele liberou a verba.
‘‘Ele (Virgílio) se esqueceu que, ao tentar me envolver, está envolvendo o atual vice-governador do Ceará, Beni Veras, que era meu ministro do Planejamento e hoje é vice do Tasso Jereissati, do partido do presidente’’, disparou. ‘‘Também (envolve) o atual ministro da Reforma Agrária, Raul Jungmann, que era adjunto do Planejamento; e vai envolver, não tenham dúvida quanto a isso, o então ministro Fernando Henrique Cardoso’’, disse o governador.
Itamar, que tem encontros agendados com Veras e Jungmann, na segunda-feira, para colher mais informações, não confirmou se assinou o decreto de liberação dos recursos para a obra do TRT, embora o documento tenha sido publicado no ‘‘Diário Oficial da União’’. Mas ressaltou que, mesmo que o tenha feito, sabia o que iria subscrever. ‘‘Não sou como o atual presidente, que diz que assina as coisas sem ler’’, criticou. ‘‘Se eu assinei eu passei a ser o responsável, mas, se assinei, eu o fiz baseado em algo enviado pelo organismo interno da Presidência da República’’, completou.

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