O governador de Minas Gerais, Itamar Franco (PMDB-MG), apesar de ter sido mais uma vez derrotado pela cúpula peemedebista, não dá sinais de que entregará os pontos. Os itamaristas afirmavam ontem que o governador continuará brigando no PMDB, mesmo sabendo que as suas chances de sucesso são quase nulas na prévia com quórum restrito. O próprio Itamar, de forma enigmática, disse isso, na interpretação de alguns aliados.

''Eles moveram uma peça do xadrez. O próximo lance é meu'', disse ele ao desembarcar em Belo Horizonte, no final da manhã, um dia após a ala governista, que comanda o PMDB, ter limitado a 3.870 os participantes da prévia de janeiro, que escolherá o candidato da sigla ao Planalto. Itamar defendia a participação de cerca de 100 mil filiados.

Ao persistir no embate com os governistas, o que Itamar tenta fazer, na prática, é não deixar de importuná-los. Enquanto ele estiver em combate, a cúpula ficaria limitada, com pouca margem para negociar com o Palácio do Planalto o eventual apoio do PMDB ao candidato situacionista.

Com a sua disposição para continuar resistindo, as articulações políticas prosseguem. Resta agora a tentativa de convocação de uma convenção nacional extraordinária, que tem poderes para definir pela prévia ampla. Mas até isso seria problemático.

Os itamaristas afirmam ter apoio suficiente para convocar a convenção, mas a sua realização dependeria de no mínimo metade mais um (290) dos dirigentes nacionais. Como a cúpula está disposta a esvaziar essa convenção (se for convocada) não permitindo que haja quórum, seria mais uma barreira a ser transposta.

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