Depois de ser citado pelos líderes governistas no Congresso como um dos responsáveis pelas liberações de verbas para a construção do Fórum Trabalhista de São Paulo, o governador de Minas Gerais, Itamar Franco, tomou uma decisão: vai brigar enquanto puder pela criação de uma CPI para apurar todas as denúncias de desvio dos recursos.
Ex-presidente da República, Itamar diz considerar ‘‘gravíssimas’’ as acusações e quer um rastreamento de todas as liberações. ‘‘Tem algo que me diferencia fundamentalmente do presidente da República, eu não tenho medo de CPI e nunca impedi a criação delas, nem como presidente nem como governador’’, afirma.
Em seu escritório particular, em Juiz de Fora, Itamar disse defender mais do que uma CPI. Ele quer confrontar as informações sobre o período de seu governo em que foram liberadas verbas e o governo de Fernando Henrique Cardoso, seu sucessor. Gostaria que isso fosse feito em uma espécie de acareação no Congresso.
Frente a frente, Itamar e Fernando Henrique – que foi seu ministro das Relações Exteriores e depois da Fazenda – poderiam checar as informações. ‘‘Melhor uma acareação do que insinuações veladas do senhor presidente em relação ao meu governo, até porque parece que ele veio de Marte, que não foi meu ministro.’’
Assim que soube das declarações dos líderes governistas, Itamar imediatamente recorreu aos seus arquivos. São dezenas de caixas que ainda estão sendo catalogadas em seu escritório e livros encadernados com coleções do ‘‘Diário Oficial da União’’. Nos livros, estão os atos assinados por Itamar nos dois anos em que permaneceu no comando do País.
‘‘Nas cópias que tenho, não estão todas as informações, por isso, gostaria que o governo me permitisse o acesso a outros dados.’’ Com eles e o auxílio de pessoas que integraram seu governo, acredita Itamar, será possível mapear a liberação dos recursos e, algo que ele considera muito mais importante, quais eram os ministros que poderiam ter participado de cada uma delas.
Em nenhum momento, Itamar nega que possa ter assinado qualquer documento. ‘‘Leio o que assino e sou responsável sozinho pelo que assino, não vou culpar a Deus’’, afirma, ironizando o fato de assessores do Palácio terem dito que FHC não lia tudo que assinava. ‘‘Ele foi meu ministro da Fazenda. Não terá ele me pedido alguma verba para esse tribunal, por ser de São Paulo? Vamos verificar tudo isso em uma CPI.’’

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