O governador de Minas Gerais, Itamar Franco (PMDB), vai mandar dois interlocutores ao Rio Grande do Sul, no próximo dia 3, para propor ao governador Olívio Dutra (PT) uma ação unificada contra as medidas do governo federal. Por causa da retirada do aval da União, os dois Estados tiveram seus contratos com o Bird (Banco Mundial) suspensos por 60 dias. Além da suspensão da liberação dos recursos pelo Bird, Minas, que está em moratória por 90 dias, está tendo parte dos repasses federais retidos.
O governador mineiro convocou a imprensa ontem no início da tarde para ler uma nota informando que o ex-governador Aureliano Chaves e o ex-embaixador José Aparecido de Oliveira irão ao Rio Grande do Sul, em seu nome, para conversar com o governador gaúcho. A nota foi divulgada depois de uma reunião entre o governador e os dois representantes. Itamar não dava declarações desde a reunião dos governadores, que ocorreu no último dia 18. Ontem, ele disse que estava convocando a imprensa porque se tratava de uma nota ‘‘histórica e grave’’.
No documento, ele cita o mineiro Teófilo Benedito Ottoni para lembrar ‘‘os laços que unem gaúchos e mineiros sempre em defesa dos princípios federativos, republicanos e democráticos’’. Em 1842, Teófilo Ottoni liderou um movimento liberal e federalista contra o Império, que teve ligação também com a Revolução Farroupilha, no Rio Grande do Sul.
No início do mês, Itamar comparou o presidente Fernando Henrique Cardoso a um monarca. Ele se negou a prestar esclarecimentos sobre a nota pouco objetiva. Pediu que os repórteres fizessem suas próprias interpretações. ‘‘Se vocês não entenderam, eu vou rasgar a nota’’, disse. A nota diz que o Estado manterá ‘‘o equilíbrio e a firmeza’’ e que o governador respeita a Constituição e os interesses maiores do País e do Estado.
O ex-embaixador José Aparecido disse que o governador mantém a posição de que o Estado não vai se curvar. Isso significa que Minas não vai recuar da decisão de moratória, mesmo com as punições federais. Disse que a intenção do governador é manter o comportamento firme com palavras serenas. Aparecido disse acreditar que o comportamento de Itamar o distancia ainda mais do presidente Fernando Henrique Cardoso.
O ex-governador Aureliano Chaves disse que o encontro é para discutir qual o melhor comportamento a ser adotado pelos dois Estados. ‘‘É preciso evitar um confronto federativo’’. Aureliano defendeu a busca da conciliação, mas acha que a iniciativa deve partir do presidente.

mockup