O ex-presidente Itamar Franco (PMDB) anunciou ontem, em Belo Horizonte, que fará campanha contra todos os peemedebistas que o teriam traído e desrespeitado na Convenção Nacional do partido. Na lista negra do ex-presidente, estão o governador do Rio Grande do Sul, Antônio Britto, o senador Pedro Simon (RS), ex-líder de Itamar no Congresso, e o presidente da Câmara, Michel Temer (SP). Também constam o deputado federal baiano Geddel Vieira Lima e o senador paraense Jáder Barbalho - classificados como ‘‘aqueles indivíduos’’ -, pelas agressões pessoais que dirigiram ao ex-presidente, esta semana.
Itamar ainda não se definiu sobre o futuro político: se insistirá na candidatura à Presidência da República - mesmo que a tese tenha sido derrotada na Convenção Nacional do partido -, se será candidato ao governo de Minas Gerais, como prega a maioria dos correligionários no Estado, ou se não concorre a cargo algum.
‘‘Estarei presente nas ruas de São Paulo, nem que seja para falar para uma única pessoa quem é o presidente da Câmara’’, afirmou o ex-presidente, em entrevista concedida à tarde num hotel da capital.
‘‘Também estarei no Rio Grande do Sul para dizer aos gaúchos da ingratidão do governador Britto, por quem fiz tanto quando era presidente, e ele nem teve coragem de me abraçar na Convenção, e ainda da omissão do meu líder Pedro Simon’’, acrescentou. Em relação ao presidente Fernando Henrique Cardoso, cujo governo acusou de ter comprado votos de convencionais para derrubar a tese da candidatura própria do PMDB, o ex-presidente foi mais cauteloso nos ataques. ‘‘Não estou rompido com o presidente; posso estar magoado com ele’’, afirmou
Segundo Itamar, a constrangedora cena na qual ficou 15 minutos sem poder falar, sob vaias, durante a Convenção, e as agressões sofridas de integrantes da ala governista do PMDB, após o encontro, teriam sido, no mínimo, permitidas pelo presidente. ‘‘Gostaria apenas ter a resposta do presidente da República do porque se permitiu aquilo.’
Ao ser questionado sobre a participação no atual governo, como embaixador brasileiro na Organização dos Estados Americanos (OEA), Itamar ressaltou que aceitou o cargo sem qualquer motivação política. ‘‘Eu o fiz porque entendi que era um ex-presidente que iria exercer com dignidade a função de embaixador do seu País, e até porque precisava de trabalhar honradamente’’, ressaltou, lembrando que, desde que entrou na vida pública, nunca enriqueceu ou roubou e, por isso, não poderia abrir mão da oportunidade.
O ex-presidente não quis adiantar o futuro político. Disse apenas que, a exemplo do senador romano Cincinatus, irá retirar-se por um curto período para refletir sobre os últimos acontecimentos. ‘‘Depois de exercer seus cargos, ele voltava a seus bois e a seu arado’’, afirmou. ‘‘É exatamente o que pretendo fazer: vou recolher-me para refletir e deixar que o PMDB decida, seja a nível nacional ou a nível regional, o que mais lhe interessa e o que mais lhe convém.’

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