Itamar pode anunciar na terça o fim da moratória de Minas
Se der ouvidos aos assessores e aliados que o cercam, o governador de Minas, Itamar Franco (PMDB), deverá dar um fim à moratória na terça-feira. Colaboradores de seu governo passaram as últimas semanas tentando dissuadi-lo da idéia de prorrogar a medida. E usaram um argumento forte: o de que poderá pôr em risco ganhos políticos caso não mude a estratégia. Nenhum deles, no entanto, se arrisca a garantir que os conselhos foram ouvidos.
Em se tratando de Itamar, admitem aliados, é imponderado fazer afirmativas. A decisão que será anunciada na terça-feira poderá surpreender até seu secretariado e os interlocutores mais próximos. O que não é novidade no governo. A própria decretação da moratória em 6 janeiro, apontada como estopim da crise cambial no País, é exemplo do estilo imprevisível.
Naquele dia, o secretário da Fazenda, Alexandre Dupeyrat, ainda aguardava uma resposta do Ministério da Fazenda sobre seu pedido de audiência com o ministro Pedro Malan quando foi atropelado pelo anúncio da moratória, garante fonte da secretaria. Na sexta-feira, a pedido do governador, o secretário da Casa Civil e Comunicação Social, Henrique Hargreaves, mandou divulgar nota anunciando a suspensão do pagamento das dívidas do Estado por 90 dias.
Oficialmente, nenhum integrante do governo aceita falar sobre o provável fim da moratória. A resposta dos secretários é sempre a mesma: quem fala disso é só o governador. Itamar passa o feriado da Páscoa em Juiz de Fora e também não aceita falar do assunto.
A tendência do governador era prorrogar, mas da última vez que conversamos ele já estava em dúvida, conta o deputado federal Hélio Costa (PMDB), um dos que tornaram pública sua posição contrária à dilatação do prazo na suspensão dos pagamentos. Ele estava 50% para um lado, 50% para o outro, diz Costa.
Na avaliação do grupo que quer o fim da moratória - no qual estão também o senador José Alencar (PMDB) e o vice-governador Newton Cardoso (PMDB), entre outros - Itamar poderá ver diminuir o apoio se optar pela prorrogação. Os resultados políticos da moratória foram além do imaginado, constata Costa, referindo-se ao fato de Itamar ter-se tornado símbolo de resistência para boa parte da oposição. No momento, porém, é assunto esgotado.
No raciocínio dos aliados, a melhor alternativa para Itamar manter seu prestígio no cenário político seria o anúncio de uma notícia positiva. Quer dizer: se pediu 90 dias para arrumar a casa, agora é hora de mostrar que foi capaz de cumprir o planejado. De acordo com eles, é isso que a população espera.
Saber se Itamar conseguiu avançar no saneamento das finanças do Estado e tem escondida nas mangas um notícia positiva não é tarefa fácil. Quando decretou a moratória, o governador alegou não poder pagar as parcelas da dívida mobiliária para poder cobrir despesas emergenciais - os salários atrasados dos funcionários, a comida dos presos e outras despesas.
Como o Estado, na prática, foi obrigado a honrar o compromisso com a União, é de se supor que a moratória, do ponto de vista contábil, fez surtir menos efeitos do que o esperado pelo governo. Até o dia 31, a União havia bloqueado R$ 181 milhões referentes às parcelas de janeiro, fevereiro e março do refinanciamento da dívida de Minas e também parcelas não pagas de contratos não cumpridos com o Banco Mundial.
De acordo com os secretários da Fazenda, Dupeyrat, e da Administração, Sávio Souza Cruz, a economia de guerra instaurada desde a decretação da moratória resultou numa redução de mais de 40% dos gastos com a máquina administrativa. Alegam que, desconsiderando-se as dívidas herdadas do governo anterior, o governo trabalha no azul mesmo, apesar dos bloqueios. Mas a verdade é que a maior parte das informações sobre o fluxo do caixa, no entanto, foi mantida em segredo de Estado.Arquivo FolhaItamar passa a Páscoa em Juiz de Fora e não quer falar do assuntoAgência Estado





