O governador de Minas Gerais, Itamar Franco (sem partido), deu mais uma amostra do nervosismo que tem marcado o relacionamento dele com a imprensa, ontem, ao partir, irritado, para cima de um jornalista de rádio. O repórter Eduardo Costa, da Rádio Itatiaia, uma das principais emissoras de Minas Gerais, assistiu, com colegas, ao discurso de Itamar, durante a posse do novo procurador-geral de Justiça, Nedens Ulisses Vieira, ocorrida pela manhã.
Vieira assumiu o cargo, indicado pelo governador, a partir de uma lista tríplice, com o desafio de recuperar a imagem do Ministério Público Estadual (MPE), arranhada com denúncias ainda não comprovadas de corrupção envolvendo o antigo procurador, Márcio Decat, e o genro dele, alto funcionário do órgão. Na cerimônia, Itamar alfinetou, mais uma vez, o presidente Fernando Henrique Cardoso.
‘‘Em Minas Gerais, ninguém poderá nos acusar de acobertar a corrupção e quem o fizer terá de provar nos tribunais’’, disse o governador, insinuando uma comparação entre a administração dele e a do governo federal. Na saída da solenidade, Itamar não quis dar entrevistas, mas Costa pediu que ele falasse mais sobre o assunto.
‘‘Eu perguntei se, em Minas, ninguém poderia o acusar de corrupção, tentando fazer, simplesmente, que ele começasse a dar entrevista’’, disse. O governador voltou-se para Costa, caminhou na direção dele e, segundo testemunhas, por pouco, não o agrediu. ‘‘O que o sr. disse ?’’, perguntou. Itamar foi contido por assessores e retirado às pressas do prédio. O secretário da Casa Civil de Minas Gerais, Henrique Hargreaves, teria pedido desculpas a Costa e explicado que houvera um mal-entendido.
Na semana passada, o governador ficara igualmente nervoso, no Palácio da Liberdade, com uma repórter de outra emissora de rádio. Ela perguntou como Itamar estaria recebendo a informação de que um integrante do governo dele quando presidente da República, e que continua na atual administração federal - precisamente, o ministro-chefe do Gabinete de Segurança Institucional da Presidência, general Alberto Cardoso - teria telefonado diversas vezes ao juiz aposentado Nicolau dos Santos Neto, em 1992, pedindo a nomeação de juízes classistas.

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