O ex-ministro da Fazenda e ex-governador do Ceará, Ciro Gomes (PPS), disse ontem em Campo Mourão que o governador de Minas Gerais, Itamar Franco (PMDB), é um ‘‘homem de bem’’ e não merece ser ‘‘debochado’’. ‘‘Ele tem um estilo que nem sempre é o mais razoável, mas é um homem limpo, que pacificou o País num momento de grande crise’’, frisou. Segundo Ciro, o deboche parte principalmente da imprensa paulista.
‘‘O grande pecado de Itamar é confrontar a ditadura do senhor Fernando Henrique’’, atacou o ex-ministro. As declarações de Ciro foram feitas durante coletiva em Campo Mourão, onde ele participou de um encontro regional do PPS. O ex-governador cearense estava acompanhado dos deputados federais do PPS Rubens Bueno, de Campo Mourão, e Márcio Bittar, do Acre.
Ciro disse que as declarações pró-Itamar não são elogios, mas sim uma ‘‘defesa a um homem de bem’’. Ele disse que é contra a moratória mineira. ‘‘Mas sei que existe um esforço orientado pelo Planalto para ridicularizar Itamar’’, destacou. ‘‘O Itamar foi o único presidente do Brasil, em 30 anos, que colocou o senador Antônio Carlos Magalhães (PMDB-BA) na oposição’’.
O ex-ministro também defendeu uma ampla aliança de centro-esquerda e disse que vai procurar todos os partidos de oposição. ‘‘A esquerda brasileira pode chegar ao poder, mas tem que superar suas limitações’’. Ele criticou o ex-governador Leonel Brizola (PDT) - ‘‘ele está equivovado como oposição’’ - mas disse que é necessário negociar com o PT. ‘‘Sem o PT, uma aliança de esquerda fica capenga’’.
De acordo com Ciro, Brizola é uma liderança ‘‘respeitável’’, ‘‘mas quem está incumbido de procurá-lo é o PT’’. Ciro criticou o PFL, chamado por ele de ‘‘fisiologista’’, e não mudou de discurso ao ser lembrado que o governador do Paraná, Jaime Lerner, é filiado ao partido. ‘‘Mantenho as críticas apesar dessa informação’’. Ele também atacou o PPB de Paulo Maluf.
O ex-governador disse que parte da imprensa está comprometida com o governo federal. ‘‘O governo do senhor Fernando Henrique gastou meio bilhão de reais com propaganda no ano passado e vai gastar mais R$ 628 milhões este ano’’, frisou. ‘‘Nunca na história do Brasil alguém chegou a gastar metade desses valores’’. A ressalva foi feita à imprensa regional. ‘‘Nunca, nem eu nem o Lula (PT), fomos censurados pela imprensa regional’’, disse.
Ciro disse que, como ministro teve em mãos documentos que mostravam que a Telebrás valia R$ 42 bilhões, mas foi vendida por R$ 17 bilhões. ‘‘Privatizaram de graça’’, atacou. Segundo ele, todos os grandes grupos da mídia nacional - ‘‘Rede Globo, RBS, O Estado de S. Paulo, o Grupo Abril da revista Veja e a Folha de São Paulo’’ - faziam parte dos consórcios que participaram da privatização da Telebrás.

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