Mesmo com a sinalização de entendimento dada nos últimos dias pelo Palácio do Planalto, o governador de Minas Gerais, Itamar Franco (PMDB), mantém o tom de confronto com o presidente Fernando Henrique. Ontem, no início da noite, Itamar divulgou duas notas em que demonstra mais irritação com o governo federal e indisposição para o diálogo. O estopim para a manifestação do governador foi a notícia de que o diretor de Fiscalização do Banco Central, Cláudio Mauch, enviou circular aos bancos determinando o bloqueio de valores creditados ou que venham a ser creditados nas contas do Estado de Minas Gerais.
Esses saques serão possíveis porque o STF cassou na última terça-feira a liminar que havia sido concedida pela Justiça de Minas Gerais, que impedia os bloqueios. Ontem, Minas impetrou medida cautelar no mesmo tribunal para tentar reverter a decisão. A nota assinada pelo governador, chama a circular do BC de ‘‘outra violência’’ contra o povo mineiro. ‘‘Essa providência, tomada algumas horas depois de impetrada ação cautelar do governo de Minas junto ao Supremo Tribunal Federal, exatamente para impedir medidas dessa natureza, confirma a hostilidade contra os mineiros e desmente a anunciada disposição do senhor presidente da República ao diálogo com os Estados’’, diz o documento.
Em seguida à primeira nota, na qual o governador reafirma que não se curvará, outro documento oficial foi divulgado informando que por causa das ‘‘hostilidades’’ contra o povo mineiro o governador convocou o alto comando da Polícia Militar para uma reunião ontem. A nota diz que as hostilidades culminaram no sequestro de haveres financeiros indispensáveis à manutenção das funções essenciais do Estado.
Ninguém do Palácio apareceu para esclarecer o que o governador pretende ao convocar a PM. Pelas justificativas de Itamar para decretar a moratória, a convocação da PM foi uma forma de preservar a estabilidade no Estado em caso de haver ‘‘convulsão social’’. Itamar teme que o Estado fique sem dinheiro para pagar os serviços essenciais. A missão dos ministros peemedebistas a Minas hoje deve ser frustrada.
Com os fatos de ontem, Itamar demonstra pouca boa vontade para qualquer reaproximação com FHC. Em outras ocasiões, ele declarou que só ficaria ‘‘frente a frente com o presidente, se ele recuasse no que definiu como ‘‘ações mesquinhas’’ contra o Estado. A reunião com os ministros estava confirmada até as 19h30.Arquivo FolhaItamar Franco convoca PM para evitar ‘convulsão social’Fábia Prates
Agência Folha

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