Itamar insiste: quer ser presidente
Itamar insiste: quer ser presidente
Mas também não descarta a possibilidade de disputar o governo de Minas
Arquivo FolhaItamar: ainda com esperanças O ex-presidente Itamar Franco (PMDB) afirmou ontem, em Belo Horizonte, que pretende insistir para ser o representante do PMDB na disputa pelo Palácio do Planalto, apesar do resultado da Convenção Nacional do partido, no domingo, que considerou surpreendente.
Itamar não descartou uma possível candidatura a governador de Minas Gerais e disse que não tem intenção de se candidatar a uma vaga no Senado. Itamar desembarcou no fim da manhã na capital mineira, onde pretende ficar até o dia 20.
Em seguida, retorna a Washington e prepara a despedida do cargo de embaixador brasileiro na Organização dos Estados Americanos (OEA). Embora não tenha conversado com os jornalistas, o ex-presidente autorizou o amigo e assessor Marcelo Siqueira, ex-presidente da empresa Furnas Centrais Elétricas e candidato a deputado federal pelo PMDB, a falar em nome dele. Depois do dia 30, Itamar Franco fica por conta de sua candidatura, embora ainda não saiba a que cargo, disse Siqueira. Mas o Senado ele não vai disputar porque já foi senador por 16 anos, acrescentou.
Paes - O presidente do PMDB, deputado Paes de Andrade (CE), disse ontem que não vai renunciar à presidência do partido, contrariando a ala governista que pretende tirá-lo do cargo dentro de no máximo um mês. Querem me destituir da presidência pela violência, usando métodos ilegítimos. Não haverá renúncia. Haverá disputa se convocarem uma convenção, afirmou. Renunciar seria a confissão de que o meu mandato é espúrio e ilegítimo, disse.
Os governistas entendem que depois da vitória na convenção de domingo, que decidiu que o partido não terá candidato próprio à Presidência da República, Paes não tem mais condições de conduzir o partido. O Catão é um exemplo de seriedade, grandeza e dignidade que deveria ser seguido pelo Paes, afirmou o líder do PMDB na Câmara, Geddel Vieira Lima (BA). Geddel se referiu ao ministro Fernando Catão (Políticas Regionais), que pediu demissão a FHC porque seu padrinho político, o senador Ronaldo Cunha Lima (PMDB-PB), foi um dos líderes do movimento pró-candidatura própria.
TSE -O PSDB decidiu contratar um advogado para defender o presidente Fernando Henrique Cardoso da representação no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) apresentada pelo PT, que o acusa de usar a máquina administrativa com o objetivo de influenciar no resultado da Convenção do PMDB, que optou pela reeleição dele. Na conversa que mantiveram na sexta-feira, no Palácio do Planalto, o advogado-geral da União, Geraldo Quintão, e Fernando Henrique entenderam que a situação nova e complicada de o governo ter um presidente candidato exigia a contratação de um advogado, a ser pago pelo partido para evitar surgir novas denúncias de uso da máquina.
O advogado escolhido para defender o presidente é Antônio Vilas Boas Teixeira de Carvalho, que é ex-ministro do TSE. Ontem mesmo, Carvalho reuniu-se longamente com Quintão para se inteirar da denúncia e começar a trabalhar na defesa de Fernando Henrique, que receberá uma nova representação feita pelo PT. Carvalho terá de responder a uma segunda representação, feita ontem pelo PT, contra o presidente e os ministros Eliseu Padilha (Transportes), Iris Rezende (Justiça) e Sérgio Motta (Comunicações), com argumentação semelhante.
Ao transferir o caso para um advogado particular, o presidente confirma a intenção de se candidatar. Fernando Henrique sustenta a tese de que o fato de ser um eventual ou um pré-candidato à reeleição impediria o advogado da União de defendê-lo. Por isso mesmo, Quintão e o presidente, juntos, resolveram que o assunto deveria ser tratado pelo PSDB e não pelo Planalto.
Fernando Henrique vai responder à ação no prazo determinado pela Justiça, que vence na sexta-feira. O TSE deu cinco dias úteis para o presidente responder à acusação de uso da máquina e abuso do poder político com o objetivo de influenciar o resultado da Convenção do PMDB. A lei eleitoral e as resoluções do TSE obrigam o presidente a deixar de usar bens e serviços públicos quando estiver em campanha, a partir de 6 de julho. (Agências Estado e Folha)





