Agência Estado

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TopeteItamar e Sarney: ‘‘Coloco meu nome para exame dos convencionais’’ O ex-presidente Itamar Franco respondeu ao desafio do líder do PMDB no Senado, Jáder Barbalho (PA), e entregou ontem, em Brasília, uma carta ao PMDB reafirmando disposição de disputar a Presidência da República. ‘‘O PMDB pode até não ter candidato, mas nunca por falta de um nome’’, escreveu Itamar ao presidente do partido, deputado Paes de Andrade (CE), no final da tarde. ‘‘Respondo, com este gesto, à convocação pública que me fez Jáder Barbalho e coloco meu nome para exame dos convencionais’’, escreveu. Em outro documento, o senador José Sarney (PMDB-AP) formalizou seu apoio à candidatura de Itamar.
Itamar Franco almoça hoje com o presidente Fernando Henrique Cardoso no Palácio da Alvorada, quando pedirá demissão do posto de embaixador brasileiro na Organização dos Estados Americanos (OEA). Ele viaja a Washington no fim da semana, para preparar sua mudança. A volta definitiva ao Brasil só deverá ocorrer dentro de 50 dias. Na convenção nacional do dia 8 de março, quando o PMDB dirá sim ou não à candidatura própria ao Planalto, Itamar não estará no Brasil. ‘‘Não vou interferir na decisão do partido’’, disse.
O porta-voz do Palácio do Planalto, Sergio Amaral, declarou que o presidente Fernando Henrique Cardoso recebe a candidatura Itamar ‘‘com naturalidade’’. ‘‘O ex-presidente preenche todos os requisitos para apresentar uma candidatura legítima’’, afirmou. ‘‘Mas o assunto diz respeito apenas ao próprio ex-presidente e ao PMDB.’ Segundo o porta-voz, Fernando Henrique ‘‘nunca sugeriu que o ex-presidente fosse candidato ao governo de Minas’’.
Ao desembarcar em Brasília, ontem de manhã, Itamar pensava em assinar um documento com os dois outros presidenciáveis do partido: Sarney e o senador Roberto Requião (PR). A estratégia escolhida, porém, foi a de valorizar a candidatura Itamar, afunilando o processo para ganhar a credibilidade da ala governista, que apóia a reeleição de Fernando Henrique e não acredita na disposição de luta dos dois ex-presidentes. ‘‘O PMDB do Maranhão e do Amapá tem 30 votos na convenção e todos virão para Itamar’’, anunciou Sarney.
Às pessoas que perguntaram a Itamar se ele ainda pode mudar de idéia, o ex-presidente disse que suas decisões são ‘‘muito amadurecidas’’. Para ele, a indefinição é só do PMDB, que precisa dizer se deseja ou não a candidatura própria. Ponderou, porém, que a convenção prá valer é a que escolherá o candidato do partido, em junho, o que poderá arrastar a luta pela candidatura própria por mais três meses. ‘‘O convencional que votou de um jeito em março, pode votar de outro em junho’’, declarou.
Durante encontro de mais de três horas com Itamar, Sarney também escreveu sua própria carta ao presidente do partido. Lembrou a existência da candidatura Requião, que os governistas repelem, só para declarar seu apoio a Itamar Franco. ‘‘Coloquei meu nome à disposição do partido quando não havia outros postulantes, e sem a compulsão de ser candidato’’, lembrou Sarney. O ex-presidente prometeu apoiar a decisão da convenção de março, e destacou que nada o fez mudar: ‘‘quando convidei Itamar para ingressar no PMDB, disse que apoiaria seu nome e que não disputaria a convenção’’.
O ex-presidente foi recebido no aeroporto de Brasília por colaboradores e pelos ex-ministros mais próximos dos tempos de Palácio do Planalto, a chamada ‘‘República do Pão-de-queijo’’. Entre sua secretária particular e seu ex-chefe do Gabinete Civil, os irmãos Ruth e Henrique Hargreaves, Itamar sustentou que Fernando Henrique tem pela frente uma ‘‘reeleição dificílima e um processo indefinido’’. Negou, porém, que tenha havido qualquer conversa ‘‘ou jogo’’ entre ele e seu sucessor, sobre sua candidatura ao governo de Minas Gerais, e não ao Planalto.

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