O governador de Minas Gerais, Itamar Franco (PMDB), ironizou a troca do presidente do Banco Central ocorrida ontem, sugerindo que a substituição foi determinada pelo FMI. Itamar, que tem evitado entrevistas desde o último dia 18, quando aconteceu a reunião dos governadores de oposição em Belo Horizonte, falou rapidamente com jornalistas ontem para dizer em tom debochado que estava feliz.
‘‘Estou muito contente. O Brasil tem um novo ministro da Fazenda que é o mister Fischer e um novo presidente do Banco Central, que é o doutor Soros. Então vai ficar mais fácil Minas negociar. A gente vai ter de melhorar um pouquinho o inglês, mas vai dar para negociar’’, afirmou.
Itamar deu a mesma resposta quando perguntado sobre a declaração do presidente Fernando Henrique Cardoso de que queria ajudar Minas. O governador estava se referindo ao economista-chefe do FMI, Stanley Fischer, e ao megainvestidor George Soros, administrador da Soros Fund, empresa na qual o novo presidente do BC já trabalhou.
O governador mineiro fez a declaração no meio da tarde quando recebia cinco deputados integrantes da Mesa Diretora da Assembléia Legislativa. O secretário-geral do PMDB mineiro e agora presidente da Assembléia Legislativa, Anderson Adauto, disse depois da reunião que Itamar manifestou profundo pesar por causa da mudança no BC. ‘‘No entendimento dele (de Itamar) não há necessidade de um presidente da República chegar a tanto, que é permitir interferência tão grande de órgãos internacionais’’, disse o deputado.

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