Um dia após as eleições do primeiro turno, com os resultados iniciais da apuração já garantindo a segunda rodada em Minas, os dois candidatos ao governo, Itamar Franco (PMDB) e Eduardo Azeredo (PSDB), já começaram a trocar farpas, por meio de suas assessorias, antecipando o tom da campanha até novembro. Aluísio Vasconcelos, do PMDB, listou denúncias sobre a suposta utilização da máquina administrativa na campanha de primeiro turno de Azeredo.
Segundo Vasconcelos, corre na Justiça Eleitoral uma série de ações contra a candidatura do atual governador, envolvendo distribuição de ambulâncias a dezenas de prefeitos e de verbas da Secretaria de Assuntos Municipais, o uso da Companhia de Saneamento de Minas (Copasa) como instrumento abusivo de uso do poder e a transformação do Minas Gerais, diário oficial do Estado, em núcleo de campanha. ‘‘E quem moveu todos esses processos não fomos nós, mas o Ministério Público Eleitoral’’, disse.
José Henrique Portugal, coordenador do comitê tucano, rebateu uma a uma as acusações do adversário e garantiu que, no segundo turno, os mineiros, conscientes da crise que o Brasil vive, vão escolher Azeredo como a melhor opção para construir o futuro do Estado. ‘‘Não é com acusações infundadas que vamos conseguir alguma coisa’’, afirmou. Para Portugal, Azeredo está repetindo, nesta eleição, a mesma atuação que teve em 1994, quando também começou a campanha bem atrás de seu oponente, forçou a realização do segundo turno e acabou vencendo a disputa.
Itamar Franco e Eduardo Azeredo devem dedicar a primeira semana de campanha a articulações para obter apoio formal do Partido dos Trabalhadores e de outras legendas de esquerda a suas candidaturas. O ex-prefeito de Belo Horizonte Patrus Ananias (PT) ficou em terceiro lugar na disputa pelo Palácio da Liberdade. Até o meio da tarde, quando metade das urnas havia sido apurada, Ananias tinha 19% dos votos válidos, contra os 13% indicados nas pesquisas de boca-de-urna. Itamar tinha 44% e Azeredo, 35%.
Segundo o coordenador da campanha de Itamar, o ex-deputado Aluísio Vasconcelos, a decisão do PT, que discute o assunto no próximo sábado, em reunião do diretório estadual, deve favorecer o peemedebista. ‘‘Temos muitas identificações com o PT e maioria dos integrantes do partido foi de origem peemedebista, como no caso de Lula’’, disse. ‘‘Da mesma forma, temos trânsito aberto com diversos outros partidos de esquerda, como o PC do B e o PSB, do prefeito de Belo Horizonte, Célio de Castro, e estamos certos que todos eles virão firmemente conosco, no segundo turno’’, acrescentou.
Já o coordenador da campanha tucana, José Henrique Portugal, aposta no contrário. De acordo com ele, um dos trunfos de Azeredo no segundo turno, não apenas em relação ao PT, é mostrar ao eleitorado quem é o vice da chapa do PMDB, o ex-governador Newton Cardoso, que possui altos índices de rejeição. A outra carta na manga de Azeredo para a campanha na segunda rodada das eleições é expor a própria trajetória de Itamar. ‘‘Esse homem foi de um partido, passou por outro, foi um vice oportunista (na Presidência da República), e isso pra Minas não serve’’, disse Portugal.
Em resposta ao assédio de tucanos e peemedebistas, o coordenador da campanha de Patrus Ananias, Luiz Dulci, disse ontem que a decisão do PT só vai ser tomada na reunião do diretório estadual. ‘‘Só podemos garantir que vamos tomar uma posição, porque isso é tradição do PT; não vamos simplesmente liberar os nossos 100 mil militantes para votar em A ou B’’, disse.

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