O governador de Minas Gerais, Itamar Franco (PMDB), que recebeu na tarde de ontem em Belo Horizonte uma moção de apoio pela decretação da moratória, assinada por cerca de 110 prefeitos - integrantes de um movimento chamado Nova Inconfidência - reiterou, em pronunciamento, no Palácio da Liberdade, a disposição de levar adiante a suspensão do pagamento das dívidas estaduais. Ao lado do presidente nacional do PT e deputado federal eleito, José Dirceu (SP), do senador Roberto Freire (PPS-PE), presidente nacional do partido, e do deputado Fernando Gabeira (PV-RJ), Itamar assumiu, diante dos prefeitos, o discurso de líder oposicionista, ao fazer duras críticas ao presidente Fernando Henrique Cardoso e, ‘‘particularmente’’, como salientou, à equipe econômica do governo federal - cujos componentes seriam os verdadeiros responsáveis pela ‘‘hora grave’’ vivida pelo País.
‘‘O governo falhou porque, em 1995, deveria ter feito a reforma tributária, a reforma fiscal, uma reforma que interessasse à União, aos Estados e municipios’’, disse o governador. ‘‘Mas esse governo que aí está só se preocupou com a reeleição’’, completou. Itamar, que assegurou não estar buscando ‘‘a ruptura democrática no País’’, mandou um recado direto ao presidente, descrito como um ‘‘príncipe esncastelado’’ pelos prefeitos que assinaram o manifesto, afirmando que, por mais que ele tenha autoridade, não pode querer ditar, sozinho, os rumos da Nação. ‘‘Ele precisa entender que não basta dizer ao País que quem manda é ele, presidente da República, porque quem manda é o povo brasileiro’’, ressaltou.
‘‘Nós, de Minas, e os homens de bem que aqui estão vamos dizer mais uma vez ao sr. presidente da República que é hora de um basta, que não é possível que o sistema produtivo nacional seja transferido ao sistema financeiro internacional’’, afirmou o governador, em discurso. ‘‘Não podemos permitir que essas taxas de juros venham fazer o que estão fazendo com o Brasil, quando nossas indústrias são entregues aos estrangeiros, quando as taxas de juros estão levando nossos trabalhadores ao desemprego’’, acrescentou.
Itamar voltou a dizer que a moratória de Minas Gerais foi adotada apenas porque, ao assumir o cargo, em janeiro, teve de fazer uma ‘‘opção’’ entre cumprir os compromissos das dívidas ou pagar salários de servidores e a comida dos detentos, bem como manter a máquina administrativa funcionando. ‘‘Não é que Minas não queria pagar; não estamos questionando o acordo (da dívida); o que estamos dizendo ao sr. presidente da República, e particularmente à sua equipe econômica, é que, se pagarmos, estaremos implantando o caos social em Minas, e isso não vamos permitir’’, afirmou.
José Dirceu, que também falou aos prefeitos, fez elogios a Itamar e também o colocou como uma espécie de líder do movimento de oposição à atual política econômica, que teria ganhado força com a ‘‘atitude corajosa’’ do governador mineiro de decretar a moratória.

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