O ex-presidente Itamar Franco disse ontem que o Brasil não precisa recorrer ao FMI (Fundo Monetário Internacional) para superar a crise econômica. A possibilidade de pedir ajuda ao órgão vem sendo aventada há cerca de dez dias, mas é negada pelo governo. ‘‘Não há necessidade de recorrer ao Fundo Monetário Internacional’’, afirmou Itamar ontem, no hotel Glória (zona sul do Rio), onde está hospedado desde a semana passada.
Uma equipe do FMI está no Brasil, atualizando dados sobre a economia do país. A economista Teresa Terminassian, chefe do grupo, disse que a visita é rotineira e que o governo brasileiro não pediu ajuda. Itamar recusou-se a comentar o pacote econômico baixado pelo presidente Fernando Henrique Cardoso para salvar o real.
O ex-presidente afirmou que ainda estava estudando as medidas e lembrou que algumas sequer foram oficialmente publicadas. ‘‘Estou fazendo minha avaliação hoje’’, afirmou.
O ex-presidente dedicou a manhã de ontem a conversas políticas. Ele defendeu o adiamento da convenção extraordinária do PMDB marcada para 25 de janeiro. ‘‘Essa convenção não tem efeito vinculante’’, disse Itamar. ‘‘A legislação atual prevê a escolha de candidatos em junho. Então, por que o partido forçaria uma definição agora?’’
Itamar propôs ontem ao presidente nacional do PMDB, Paes de Andrade, que não realize a convenção de janeiro. A possibilidade de adiamento ficou mais forte depois que o Conselho Político do PMDB aprovou, na semana passada, moção de apoio à reeleição do presidente Fernando Henrique Cardoso.
Segundo o ex-presidente, a convenção de junho, a única válida para fins eleitorais, poderia tomar decisão diferente da de janeiro. Dentro do PMDB, enfrentam-se dois grupos: o dos partidários do apoio à candidatura de Fernando Henrique à reeleição e o dos defensores da candidatura própria. Se a convenção de janeiro acontecer, os adeptos do apoio a FHC poderão tentar usá-la para impor nova derrota ao grupo adversário.

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