Itamar disputará indicação do PMDB
Agência Estado
O ex-presidente Itamar Franco desembarca em Brasília amanhã para, além de entregar ao presidente Fernando Henrique Cardoso o cargo de embaixador do Brasil na Organização dos Estados Americanos (OEA), levar ao presidente do PMDB, deputado Paes de Andrade (CE), uma carta anunciando sua disposição de ser o candidato do partido ao Palácio do Planalto.
Enquanto os governistas do PMDB se movimentavam no fim de semana em busca de uma saída para liberar o líder no Senado, Jáder Barbalho (PA), de um compromisso de apoiar Itamar ou o senador José Sarney (PMDB-AP) na disputa pelo Palácio do Planalto, o ex-presidente articulava-se para amarrar o partido a sua candidatura. O Itamar tem toda a disposição para ser o candidato do PMDB à Presidência da República e já está preparando a carta para o partido, que o Jáder cobrou, reafirmando sua candidatura, contou o amigo e deputado Raul Belém (MG).
Antes de ir ao Planalto entregar o posto de embaixador e comunicar ao presidente suas pretensões eleitorais, Itamar tem um encontro marcado com o senador presidenciável José Sarney. Os dois trocaram telefonemas nos últimos três dias e a definição por escrito, cobrada por Jáder em tom de desafio, pode virar uma carta coletiva. Pesquisa Ibope/CNI divulgada na sexta-feira aponta Sarney e Itamar como os políticos que mais ajudam o Brasil, depois do presidente Fernando Henrique Cardoso.
O Itamar propôs ao Sarney que os três presidenciáveis do PMDB oficializem suas candidaturas numa carta conjunta ao presidente do partido e o Sarney gostou da idéia, contou o deputado Raul Belém. O terceiro presidenciável do PMDB é o senador Roberto Requião (PR).
Somos as três alternativas do partido e podemos atender ao apelo de Jáder, formalizando isto num documento com três assinaturas, sugeriu Itamar a Sarney. O que o deputado quer saber agora é se o PMDB estará ou não unido em torno de um nome. Ninguém quer bancar o Dom Quixote, adverte o parlamentar.
A movimentação dos presidenciáveis visa a derrubar o argumento dos governistas de que a tese da candidatura própria nasceu morta por falta de candidato. O PMDB não poderá mais dizer que não tem candidato por falta de um nome, disse Henrique Hargreaves, amigo e ex-ministro de Itamar. Mas ele próprio pondera que a definição para valer só será tomada em junho, quando os partidos reúnem-se em convenção nacional para lançar seus candidatos.
Os amigos de Itamar estão convencidos de que, mesmo que os governistas consigam derrotar a candidatura própria na convenção de março, para apoiar a reeleição de Fernando Henrique, em junho o partido poderá mudar de idéia, caso o presidente esteja mal nas pesquisas. Argumentam que, se o desempenho do governo cair, os aliados não terão constrangimento de retirar o apoio. O sucesso é solidário, mas o insucesso é solitário, ensina Hargreaves.
BarbalhoA cúpula governista do PMDB encontrou a fórmula política que vai permitir o recuo do líder do partido no Senado, Jáder Barbalho (PA), no apoio prometido à eventual candidatura do ex-presidente e embaixador do Brasil na Organização dos Estados Americanos (OEA), Itamar Franco, ou do senador José Sarney (PMDB-AP) ao Palácio do Planalto. Jáder pertence ao nosso grupo e terá de nos consultar, democraticamente, antes de tomar posição, argumentou um ministro do partido. Qualquer posição diferente do apoio à reeleição do presidente Fernando Henrique Cardoso é minoritária no grupo.
Jáder blefou com o desafio, e agora nós corremos o risco do Itamar blefar por ofício, desabafou um cardeal do partido. Foi uma imprudência; quem está com o jogo ganho não precisa pagar para ver, completou outro dirigente do PMDB. O grupo governista avalia que Itamar nunca jogou internamente como candidato.





