O governador Itamar Franco (PMDB-MG) disse ontem que a prorrogação da moratória do governo de Minas Gerais é ‘‘a hipótese mais provável’’ que deverá adotar em 1º de abril, quando termina o prazo de 90 dias de suspensão do pagamento das dívidas do Estado. Itamar recusou a acusação de que esteja sendo radical por ter rejeitado diálogo com FHC durante sua visita de dois dias a Brasília. Segundo ele, o diálogo só acontecerá com a renegociação do contrato da dívida. ‘‘Eu já fui presidente e sei como é: quando o presidente quer, ele faz’’, disse. O governador foi ontem ao Rio.
Itamar afirmou que quer apenas o cumprimento do acordo de renegociação da dívida do Estado, fechado em 97. Segundo ele, o próprio acordo prevê a alteração do contrato. A assessoria de Itamar distribuiu nota informando que o tucano Eduardo Azeredo, antecessor de Itamar, foi beneficiado pelo governo em 98.
Segundo a nota, FHC editou no dia 27 de novembro de 98 medida provisória que adiou em um ano o pagamento da parcela da dívida do Estado que venceria no dia 30 daquele mês. A nota afirma que Azeredo recebeu do governo federal ‘‘o alívio de 12 meses e a liberação de mais recursos em dezembro de 98’’.
Em contrapartida, diz a nota, Itamar só recebeu ‘‘represálias, confiscos, denúncias aos organismos internacionais e a obrigação de quitar, em novembro de 99, a parcela postergada acrescida de juros de mercado’’. Em tom de gozação, o governador mineiro disse que, após a prorrogação da moratória, irá pedir ajuda ao FMI. ‘‘O FMI empresta a juros baixos, exige pouco e vai monitorar as contas de Minas Gerais.’’
Ao ser questionado sobre o Plano Real, criado em 94 quando ele era presidente, Itamar voltou a ironizar o FMI. ‘‘Perguntem ao Fundo, ao senhor Camdessus, que é francês’’, disse, forçando o sotaque francês no nome do diretor do FMI, Michel Camdessus.
Antes de deixar Brasília, Itamar foi convidado para falar no 21º Congresso Nacional de Vereadores e fez novos ataques a FHC. ‘‘O presidente precisa acordar para a realidade do País, que não tem uma situação de Primeiro Mundo’’, disse.Agência EstadoItamar ironizou ontem que vai ao FMI: ‘‘É mais barato’’Abnor Gondim
Agência Folha

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