Itamar deve deixar cargo na OEA em 2 de fevereiro
O ex-presidente e embaixador do Brasil na Organização dos Estados Americanos (OEA), Itamar Franco (PMDB), telefonou para o presidente Fernando Henrique Cardoso e marcou encontro em Brasília no dia 2, quando deverá formalizar o afastamento do cargo.
Para mostrar que o tempo de indefinições está acabando, ele marcou a data de retorno aos Estados Unidos para arrumar as malas: 7 de fevereiro. Mais ainda: garantiu que em 20 de fevereiro estará morando de novo no Brasil, após a breve experiência na diplomacia, primeiro em Lisboa e depois em Washington. Aí começa um novo dilema, pois Itamar está com o nome colocado à disposição do PMDB para ser candidato ao governo de Minas ou à Presidência da República. Não se descarta nem a possibilidade de seguir na diplomacia. O porta-voz do Palácio do Planalto, Sérgio Amaral, disse ontem que somente durante a conversa de fevereiro Fernando Henrique decidirá se oferece ou não um novo posto de embaixador a Itamar.
A todos os amigos com quem conversou nos últimos dias, Itamar negou que esteja cobiçando a Embaixada do Brasil em Roma. Fontes do Planalto garantem que, se pedir, leva. Fernando Henrique Cardoso avalia que o amigo Itamar cometeu um erro político ao se filiar ao PMDB para disputar as eleições de outubro. Ele disse a mais de um interlocutor que, ao optar por um partido grande e complicado, como o PMDB, o ex-presidente transformou-se em prisioneiro dos caciques da legenda.
Itamar é refém principalmente do prefeito de Contagem, Newton Cardoso, senhor da convenção do PMDB mineiro. Se a opção do ex-presidente for a disputa pelo governo de Minas, isso só vai ser possível com a anuência de Cardoso. Anteontem, o prefeito reuniu a bancada do PMDB em Brasília para dizer que será ele mesmo o candidato do partido ao Palácio da Liberdade. Chegou a anunciar que em 2 de abril deixará a prefeitura, cumprindo a lei eleitoral.
Um dos primeiros telefonemas de Itamar no Brasil foi para o deputado Raul Belém (PFL-MG), amigo íntimo dele, com o objetivo de dizer que estava preocupado com o vai-e-vem de Newton Cardoso. Os amigos de Itamar preferem pensar que Cardoso está apenas fazendo um movimento para se valorizar.





